Quarta-feira, 9 de Julho de 2014

PERSONAL TRAINER DE CARREGAMENTO DE TELEMÓVEIS

Muito poucos seres humanos têm noção da polivalência necessária para enfrentar os cerca de 7.500 clientes que diariamente passam por este quiosque. Oferecer um jornal em troca de 90 cêntimos acaba por ser, contas feitas, a mais básica e menos exigente das funções a que este senhor se sujeita a troco de um miserável salário de 5.200 euros mensais.
Conselheiro para vidas mais ou menos difíceis, comentador desportivo e da vida alheia, prestador de informações preciosas e, brasileiramente falando, arrumador de trocos, são algumas das competências primárias que a clientela espera de alguém como a minha pessoa.
Mais recentemente passei a acumular igualmente as funções de personal trainer de carregamento de telemóveis. Para já só tenho um cliente. Mas dos grandes, daqueles que felizmente só aparecem de 5 em 5 anos. O serviço é oferta da casa.


Uma vez por semana o ritual repete-se. O cliente chega à banca. O cliente pousa as suas compras em cima das revistas, chegando até ao crime de ocultar os seios da senhora da capa da Playboy. O cliente espalha todo o conteúdo da sua carteira em cima das suas compras, que por sua vez estão em cima das revistas, que por sua vez tapa os seios da senhora referenciada acima (já tinha dito?). Por entre variadíssimos e úteis objectos de senhora, estão também 3 telemóveis, que exigem ser carregados com uma certa quantia. Quanto? O cliente não sabe. Tem os números dos telemóveis? O cliente não tem. Os telemóveis estão ligados? Não, mas o cliente sabe que não estão ligados. E o cliente sabe ligar os telemóveis? Não sabe. Mas tem os PINs? O cliente tem, mas não sabe deles. Mas tem. E sabe procurar por entre a feira da ladra que se instalou por cima dos seios da senhora da Playboy? O cliente sabe. Agora já temos PINs? Sim, já temos. E 5 minutos mais tarde já temos também os números para carregar? Sim, mais minuto menos minuto. E com quanto carregamos? O cliente não sabe. Quem decide? O personal trainer de carregamento de telemóveis: "Não sei, veja lá o senhor, que tem experiência nestas coisas".
A vida é bela, mas podia ser mais simples.

 

publicado por ardinario às 09:39
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