Os miúdos não me deixam tocar guitarra enquanto está a dar o Panda. Até certo ponto, é compreensível. Só toco há 3 meses. Mas não é de todo agradável levar com uma ordem tão directa: “vai tocar isso para outro lado” ou “enquanto não souberes tocar as lágrimas, vais tocar isso para outro lado”. Eu vou.
Cinco minutos mais tarde um deles vai ver o Panda para “o outro lado”.
Panda, se me está a ouvir, metes-me nojo e eu odeio-te! És gordo e estupidamente monocromático! Já não basta impedires a progressão da minha carreira, como ainda tenho que ouvir disparates como “Não percas a minha nova revista no teu quiosque!” e de imediato ser assaltado por um coro de vozes: “tens lá isto no TEU quiosque?... COMPRA! COMPRA! COMPRA!”.
Mesmo perante a minha insistência que o “teu quiosque” não presta, cheira mal e o dono é mau, o Panda encarrega-se de, durante os intervalos do Martim Amanhã e do Vila Beleza, reforçar a ideia que “o teu quiosque” tem mesmo a revista, é impossível não ter.
Sonho, por isso, pelo dia em que o som que sai da guitarra os faça soltar um ohhhh de admiração e profundo orgulho. Até lá, e para bem da saúde do quiosque e do Panda, não há volta a dar: procuro guitarrista profissional com jeito para miúdos.
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