Sexta-feira, 19 de Setembro de 2008
Arredem-se os leitores mais sensíveis à degradação humana, por favor.
Vómitos, febre, diarreia, mal-estar geral. À excepção do primeiro, foram estes os sintomas que herdei da herdeira. Primeiro eu, e agora o herdeiro, que ainda está na fase 1, coitado. Nesta altura do campeonato, só sobra a mãe e a tartaruga, se bem que o réptil hoje nem ao banho foi, pelo que antevejo a sua primeira noite de sofrimento. Se a coisa se alastra à mãe quero saber quem me faz a canja amanhã.
Foi uma noite bem movimentada, em que o grande factor de interesse esteve na procura de um lugar limpo e arejado onde a M. não tivesse despejado o almoço, ao mesmo tempo que tentava atenuar a minha própria fragilidade. Isto significa que dividi a noite entre o quarto, a sala e a casa de banho, sempre com a manta e o vírus às costas. Na fase de delírio ponderei passar o resto da noite na cozinha, ao lado da tartaruga, embrulhado na manta. Ou mudar-me para uma pensão. Acabei por não o fazer, o que não significa que não tenha passado a noite em branco.
É nestas alturas que um despertador perde toda a razão da sua existência. Acordar um gajo que já está acordado? Pfffff… isso também eu faço e não preciso de pilhas.
A abertura no quiosque antevia-se lastimável. De repente, todos me pareciam antipáticos e malvindos. Contei todos os minutos até à chegada do salvador. Ainda fiz as entregas. E as compras matinais. No pingo doce e na farmácia. Cheguei a casa e encontrei uma cama limpa, uma verdadeira raridade nas últimas 12 horas. Amochei e só acordei na hora de voltar ao quiosque.
De repente, os sintomas estavam no red line. Passar uma hora no quiosque nestas miseráveis condições, sem o mínimo de apoio técnico-sanitário, não é grande programa. Era como jogar na roleta. Pode ser que tenha que abandonar o tasco, atravessar a estrada, invadir o café vizinho, fazer o percurso inverso e admirar uma casa vazia. Ou pode ser que não.
Porra, fui um herói!