Começou aqui, faz este mês 5 anos, a minha aventura na blogosfera. Alguém viu, gostou e me endereçou convite para integrar uma equipa da 1ª divisão blogosférica. Aceitei. Ainda hoje lá consta o meu nick, apesar da esporádica participação. Esse alguém, a quem nunca vi a cara, de quem não conheço sequer o verdadeiro nome, revelou-se desde então um amigo à distância. Coisas da rede, que alguém melhor que eu pode explicar. A esse alguém devo em boa parte, entre outras coisas, a existência deste blog. Ontem "alguém" fez uma homenagem sentida ao pai de "alguém", um habitual comentador do blog em questão. Mas essencialmente pai de "alguém". "Foi e será o teu melhor post de sempre", disse-lhe. Imperturbável, sem fugir ao seu apuradíssimo sentido de humor, e igual a si próprio, respondeu-me "não agoires, pá!".
Clubites à parte, nem um iceberg de 6 milhões de toneladas ficaria indiferente a tão grande homenagem.
Abraço, pá!
Como eu estava a dizer antes de ser interrompido, quando estou no quiosque passo a ser filho de várias mães. Muitas mesmo. Não havendo estatísticas oficiais para sustentar a tese, limitem-se a confiar na minha pessoa: 22,3% das clientes com mais de 50 anos tratam-me carinhosamente por "meu filho". Nas restantes 77,7% está incluida a minha própria mãe, que me trata por "hoje queres um rissol ou uma queijada?", e ainda outras pessoas que gostam de variar entre "moço", "menino" e "dê-me a Maria". Fico triste porque nada disto me define. O empregado tem mais sorte. É o "rapazinho", o "mocinho", o "gordinho" e o "pretinho". Só há um, é ele e não há que enganar. Para os velhos sou o "jovem" (oh jovem, dá-me um vinston, ou como isso se chama).
De qualquer forma, "meu filho" soa muito a "se eu não tiver aqui dinheiro que chegue, fico a dever, está bem, meu filho? Depois fazemos contas em casa".
Adeus. Agora vou almoçar a casa da mãe.
Continuo a receber emails, à louca velocidade de 1 por mês, a pedir por favor "como faço para abrir um quiosque". As pessoas continuam a pensar que este bicho é um negócio muito atractivo (é giro, apenas isso) e que o previlégio de ler sem pagar paga tudo o que de mau tem o bicho. Mas muito possivelmente, as pessoas que pensam maravilhas do bicho nunca tiveram um em casa. Das várias leis de murphy que inventei sobre quiosques, há uma que diz quase tudo: tudo o que poderá correr mal sobre um negócio que envolva jornais e revistas, vai correr mal, e tu não podes fazer nada contra isso. Nós, profissionais de quiosques (não se riam), sabemos isto, e não podemos fazer nada. Eles, distribuidores, sabem isto, riem-se disto, e continuam a fazer tudo. Eles, jornais e revistas, sabem muito bem isto, e ignoram isto, o que é muito mais grave do que o "eu quero, posso e mando" das distribuidoras. Se a esta vergonha, para a qual é preciso muito estofo para lidar sem perder a cabeça, associarmos uma evidente queda de leitores sem retorno, estamos na presença de um negócio que não merece muitas linhas na resposta à pergunta "como faço para abrir um quiosque?". Got it?
. O 11 DE SETEMBRO DOS QUIO...
. À atenção dos accionistas...
. QUIOSQUE QUE LADRA NÃO MO...
. O CURSO DE LÍNGUAS E O RO...