Caro cliente e amigo,
Faz parte do nosso Top de Vendas, é um cliente muito importante para nós e, como tal, foi seleccionado para participar na nossa acção SOL 2011. Porque acreditamos que consegue ler ainda mais jornais do que tem lido até aqui, este quiosque lança-lhe agora um desafio.
A sua média de compras do jornal SOL no primeiro semestre de 2010 foi de 0 exemplares. Se de Fevereiro a Abril atingir um patamar de 1, ou seja, mais 1 exemplar, ganhará um vale de compras no valor de 10€. *
Caso esteja interessado em fazer disto um grande negócio, disponibilizamos também um sistema multi-nível em pirâmide, com entradas de admissão a partir de 20€ + custos de inscrição e com possibilidades de ganhos de 4.500€ se estiver no topo da pirâmide ou enormes perdas se for um dos tótós da base.
* promoção limitada aos primeiros 25 clientes Top
Melhores cumprimentos,
Quiosque Praça 8 de Maio
O Sol mandou-me uma carta. Diz que somos amigos. Apesar de nunca ter sido visitado por ninguém do Sol e de vender o Sol desde que o Sol nasceu, somos amigalhaços. Faço também parte do Top de Vendas do Sol (maiúsculas e bold deles), com uma brutal média de 13 exemplares no primeiro semestre de 2010 (bold e contas deles, e exemplarmente exageradas, segundo as minhas). Sendo eu amigo do Sol e fazendo parte do seu Top de Vendas, sendo assim qualificado como "um Agente muito importante para o Sol", fui seleccionado para participar na acção AGENTES 2011 (maiúsculas e bold dos suspeitos do costume), porque eles estão convencidos que posso melhorar o meu desempenho.
A única coisa que tenho que fazer é um milagre: atingir um patamar de 21 exemplares entre Fevereiro e Abril. Em troco oferecem-me um vale de compras de 250€. Não dizem onde, mas possivelmente será num super mercado em Angola.
Agora contas minhas, por favor. 13 semanas a vender mais 8 exemplares são 104 exemplares para vender a mais que o normal, que darão um lucro adicional de 15,60€. Mais os 250€ em vales de compras. Parece um grande negócio, mas acabou de passar por aqui o arrumador que me arruma trocos, a queixar-se que esta manhã só tinha feito 25€, quando a média dele são 35€.
Por isso, caros amigos do Sol, vender mais 8 exemplares do Sol por semana... só indo para a rua gritar "Olha o Sol! Olha o Sol!".
Prefiro ir arrumar carros.
ps - os meus agradecimentos à Maria João e ao Pedro Neves (e equipa) pela ajuda e destaque ;)
- Boa tarde, minha senhora! Como estão a vendas?
- Muito boas! O caso Carlos Castro veio dar um grande impulso ao negócio. É uma pena que não haja mais brutalidades como esta com mais frequência. Dois a três assassinatos por semana, envolvendo figuras públicas, é o que este negócio mais precisa. Imagine o que não seria a Elsa Raposo aparecer a flutuar no Danúbio enrolada num saco de plástico gigante e com as tatuagens vandalizadas a lápis de cera... E na mesma semana o Castelo Branco...
- Pois, compreendo, mas a senhora só consegue vender péssimas notícias?
- Não. Quando o Benfica ganha também se vende qualquer coisa.
- E a senhora não acha que com 2 assassinatos semanais de figuras públicas deixava de vender revistas de sociedade por falta de personagens?
- É por isso que temos que apostar na formação, em novos valores para o nosso jet-set. O que não falta é pessoal jovem, bem vestido. cheio de dinheiro, grandes carros e manias, ávido de aparecer em festarolas repletas de champagne, cocaína e máquinas fotográficas. Por cada um da velha guarda que vá de frosques têm que aparecer dois jovens sem vontade de trabalhar e dispostos a viver a vida ao máximo. Isto inclui, claro está, revelar abertura para levar com um tiro nos cornos do marido da amante, quando menos espera.
- Pois...
- Repare. Mais crimes hediondos, mais vendas, mais lucros, mais revistas, mais quiosques, mais emprego. Não digo que acabava a crise, mas era um bom empurrão. Mesmo o gajo que leva o tiro ou a facada livra-se de muito gente hipócrita que girava à sua volta. Todos ganham, até os jornalistas!
- Estou a ficar entusiasmado! E que mais iniciativas a senhora tinha em mente?
- Ainda bem que me faz essa pergunta. Repare, o JN já se apercebeu do potencial que tem em mãos, e começou esta semana a distribuir facas aos seus clientes. É uma excelente e subtil forma de comunicar ao cliente "amigo... o que é que o presidente da junta tem feito por ti? E o chefe da finanças? Ãh?? Nada, né?..."
- Isso é espectacular!! E mais, e mais?
- Eu acho pouco e iria mais longe. Infelizmente a faca também tem outras utilidades que não provocar ligeiros ferimentos na garganta. Está na altura de começar a oferecer machados, catanas e guilhotinas. E aquela coisa de trazer o cupão para a troca... isso é para maricas. Só leva a guilhotina quem trouxer o mindinho do vizinho de baixo dentro de um frasco.
A fase de transição entre o largar a fralda e o deixar de borrar a cueca é, higienicamente falando, a fase mais agonizante da vida de um pai.
Não admira por isso que muitos pais optem por adiar a coisa para horizontes temporais mais alargados. “Oh mãe, o Zé Luis diz que eu cheiro mal”. “Não ligues, filho. Olha, por falar nisso, a tua tia ligou hoje a dar-te os parabéns pela licenciatura”.
Mudar uma fralda com cocó até ao pescoço é brincadeira de papá, quando comparado com limpar um cocó até ao soalho, à cueca, às calças, e até a todos os locais por onde o sacana andou a passear antes de se sentir… completamente borrado.
A primeira pergunta que fazemos a nós próprios, depois de afastar as hipóteses suícidio e abandono infantil, é: começo pela casa ou pelo sacana? Com a experiência aprendemos que é perfeitamente indiferente, começando pelo que está mais à mão, e um impulso mais atrevido leva-nos a acreditar que a melhor solução é arrancar com o soalho e atirar com o sacana para a banheira. No final havemos de pensar que todas as soluções são más e deixam um profundo trauma no pai, ao ponto de pesquisar “vasectomia” no google. O sacana, esse, esquece rapidamente e repete a graça as vezes que a vontade lhe permitir.
Felizmente tudo isto é passado. É por isso uma grande alegria recordar. Tudo o que está para vir parece, a esta distância, fácil demais.
Só me ocorreu dizer “na perspectiva do ladrão, hoje é a noite ideal para me assaltarem o quiosque” depois de o ladrão me assaltar o quiosque. Se eu dissesse “na perspectiva do ladrão, hoje é a noite ideal para me assaltarem o quiosque” antes de o ladrão me assaltar o quiosque, eu estaria perfeitamente certo. Dizê-lo depois torna a mensagem num desabafo de quem sabe que aquela era a noite ideal para ser assaltado. Mas eu disse-o, a caminho do quiosque, na tentativa frustrada de me consolar.
Estávamos na véspera de Natal, onze e tal da noite, pouco antes da chegada do pai natal, que por acaso nem chegou a aparecer. Alertado pelo pessoal que na noite de Natal ficou de plantão na central de alarmes da securitas não sei das quantas, lá foi metade da família a caminho do local do crime. Havia 60% de probabilidades de ser um mosquito gigante e 30% de probabilidades de o Tom Sawyer nº7 se ter suicidado de uma altura de 5 prateleiras. Nos restantes 10%... é larápio.
Saiu larápio. Partiu o vidro e foi embora, o que transforma o larápio num vândalo, num delinquente sem experiência profissional ou num bandido com a 4ª classe por completar – os inúmeros autocolantes que identificam a ligação de um alarme ao espaço comercial são mesmo verdadeiros e informam qualquer coisa como “ou partes esta merda toda rapidamente e levas o que tens a levar, ou a estridente e crescente campainha que não tarda vai soar encarrega-se de te furar os tímpanos e chamar para a rua metade da população vizinha”.
Portanto, isto foi 6ª feira, 24. Passei o Natal diferente, com 748 maços de tabaco em casa. O quiosque ganhou um vidro novo, obrigado.
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