Ccomeço a ficar sem paciência para os elogios à minha paciência. A fama ultrapassou fronteiras, andou a passear pelo mundo e chegou finalmente aos ouvidos do mais novo. As consequências têm sido devastadoras. À semelhança do que a irmã passou, vive neste momento a fase em que obriga o pai a fazer de figurante nas suas brincadeiras (muito infantis, por sinal), chegando a usar a chantagem quando confrontado com a possibilidade de brincar sozinho: "ou brincas comigo ou és mau e vou dizer às pessoas que já vi a tua pilinha". Sinto-me obrigado a ceder perante tamanha ameaça e vou à luta.
Na brincadeira "muito infantil, por sinal" tenho que pegar num boneco ou num carro ou em qualquer outro objecto que esteja à mão, e seguir as instruções para os movimentos e falas. No fundo, o puto é o realizador, produtor, argumentista e actor principal de um filme e eu sou um actor secundário, muuuuuuito secundário, mas imprescindível para o sucesso de bilheteira. Ele é o super-herói e eu sou o mau, que leva sempre porrada, não tem super-poderes e sofre de paralisia quase total. Vou para o filme sem motivação e as minhas deixas são bastante limitadas para o currículo que apresento, mas fundamentais para o super-herói brilhar. Ele diz "agora ficas aí parado enquanto eu te dou murros e no fim dizes ai ai ai ai!!". E eu fico com o boneco mau, imóvel, enquanto levo com murros e no fim digo "ai ai ai ai!!". Depois acaba o filme e começa outro em que sou o cão filho e ele é o cão pai. O cão pai está incumbido de dar comida ao cão filho e o cão pai pergunta-me "o que queres comer, filho?". E eu respondo "quero um croquete de sardinha e amêndoas". E ele grita "PAIIIIIIIIIII!!! Tu não falas!!! És um cão!!!! Só fazes ão ão ão ão!!!". E eu faço "ão ão ão ão" e ele traz-me sopa de cenoura. E ameaça-me " se não comes tudo, vais de castigo para o teu quarto!" e eu faço um "ão ão ão ão" muito comovente, capaz de fazer chorar até o ministro das finanças enquanto sobe impostos. Como a sopa toda e no fim, distraído, digo "muito boa!!!" e ele chateia-se porque eu não ladrei e volta tudo ao início. Às vezes também faço de carro. Geralmente o carro que me é atribuido não tem rodas, e se tem, não pode entrar em grandes aventuras. O carro dele é lindo e robusto, voa e quando bate no meu, fica imóvel, e sou obrigado a fazer a minha carripana entrar em despiste e simular um acidente horrível. Esta é a minha brincadeira preferida porque só tenho que fazer "vrum vrum puuuuuuuuuuuuuuubas!!!!", não sou humilhado com cargas de porrada e não tenho que ladrar.
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