Faz-me lembrar o vizinho da casa do lado com quintal que tem um gato semi-vadio. O gato é malhado, deve ter uns 3 anos e tem a mania que é herói. Volta e meia envolve-se em grandes lutas com um gatarrão preto vadio-a-tempo-inteiro e obviamente leva sempre no pêlo. É demasiado mimado quando está no quintal a comer peixinho grelhado com batata cozida e assim que chega ao telhado do armazém do lado ainda vai com o chip "eu sou um gato intocável" ligado. Enquanto leva nos cornos do gatarrão preto vadio-a-tempo-inteiro, o vizinho da casa do lado com quintal que tem um gato semi-vadio chama por ele "ó riiiiiiiiiscas!!!". E pára-me o cérebro. Riscas?? O gato é malhado e o vizinho chama-lhe riscas?? Espectacular, tenho um vizinho alternativo! Um vizinho que devora música indie, que apesar da idade leva os filhos e sobrinhos 3 dias a acampar para Paredes de Coura, que lhes oferece preservativos enquanto se embebeda durante a tarde junto ao palco de jazz, que fuma Utah sem filtro para poupar para a viagem de bicicleta pela europa que planeia iniciar no dia em que completar 50 anos, que colecciona manifestações indiscriminadas de mochila às costas, que tem tatuado nas costas o dedo morto que aparece no Blue Velvet de David Lynch, e que é sócio com quotas em dia do Bristol City FC.
Depois durante a luta seguinte, está o Riscas a levar nas trombas como gato grande e desta vez, muito mais perceptível, ouve-se a voz do vizinho da casa do lado com quintal que tem um gato semi-vadio: "ó whiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiskas!!!". E toda a cena alternativa se evapora num ápice.
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