Dizem ao sábios e alguns não sábios que quando temos uma coisa entalada, o melhor remédio para aliviar o peso é deitar tudo cá para fora o quanto antes. Portanto, sem grandes demoras ou rodeios, cá vai: fui ao Festival Panda.
Depois de três gloriosas passagens pelo Sudoeste, duas deambulações memoráveis por Paredes de Coura e uma travessia de muletas (era Pixies) pelo Super Bock Super Rock, a minha caderneta festivaleira ostenta agora o carimbo do consagrado Festival Panda. É, digamos, a ordem natural das coisas. O Jardel também terminou a carreira no Rio Negro de Manaus. A veia (no verdadeiro sentido) já não é a mesma, mas o espírito mantem-se intacto.
O Festival Panda é como os festivais de música de verão. No Festival Panda o público é o mesmo do Optimus Alive. Mas para o Festival Panda as pessoas deixam o piercing em casa e trazem os putos prá festa. As condições são muita fixes. No 1º Sudoeste fiquei acampado num pinhal. Um pinhal oferece condições fixes que só um pinhal oferece em momentos em que um dos intestinos está em apuros. Mas o Festival Panda tem fraldários! Loucura! Depois estes luxos ficam caros. Paguei 6 contos no Festival Sudoeste e 68 euros no Festival Panda. Mas tá-se bem.
A organização esteve 5 estrelas. Destaco dois destaques que vale a pena destacar. Primeiro, as cenas para as crianças se entreterem enquanto os pais curtiam os concertos. Pena haver bué da filas. Mas sempre fazia lembrar as filas para a cerveja no Super Bock Super Rock. Segundo, o cheirinho a erva que estava no recinto. A organização esteve muito bem ao marcar o festival para um estádio de futebol. Mas também houve cenas más. O ambiente estava um pouco infantil. Havia muita palhaçada a mais. Demasiada palhaçada a mais cansa um tipo. E aquele choro permanente em background foi pena. Acaba por incomodar quem quer assistir com atenção às bandas emergentes do canal Panda. Mas por outro lado deixa um gajo com aqueles sintomas de ressaca próprios de um festival. E isso é baril, ajuda a entrar no espírito festivaleiro.
Quanto aos concertos. Foi um bocado fraco. O som também não ajudou. Por vezes parecia que estavam a cantar em playback. Tive pena de só apanhar a parte final das Winx. A Stella em palco é muita boa. Também não vi grande coisa do Ruca porque estava à espera que um pirata me fizesse uma espada com balões. A Moranguinho é fixe, confirmou as expectativas. Pena o último álbum ser fraquinho, mas ela tem uma boa presença. Acho que é do chapéu. O Pocoyo só ouvi ao longe. Prefiri ficar a brincar na pista dos carros. Ia havendo porrada e tudo lol. Finalmente vieram os cabeça de cartaz, os Vila Moleza. Foi o delírio. Não são muito do meu agrado, mas confesso que em palco arrasam. Continuo a achar que o Sportacus mete LSD. O Manelito diz que não, que são frutos desportivos. Tá bem, tá… Para encerrar em beleza chegou a Banda do Panda. Tocaram os maiores hits. A Zebra é mesmo um animal de palco, toca bué. No fim ainda deu tempo para fazer uma peregrinação ao pedaço de relva onde o Coentrão e o Javi Garcia ofereceram ao Benfica o título de Campeão Nacional da 1ª mão da meia-final da Taça de Portugal. Depois veio a cena final. Fizemos um cordão humano e ficou muita louco. As bandas passaram no meio. O Leão fez-me uma festinha na cabeça. Quase chorei de alegria. E ainda deu para tocar no braço do Panda. Foi assim de raspão, mas os seguranças não deixavam aproximar muito. Foi pena. Mas foi lindo.
Para o ano estou lá batido outra vez, mas não levo as crianças.
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