Há várias leituras que se podem fazer destas eleições. Há muitas, aliás. Imensas. Um mar de delas. Dentro desta infinidade de leituras, várias ilações se podem tirar. Muitas ilações. Charters de ilações. No enorme subconjunto de ilações existem dois tipos de abordagem: a abordagem centrada nos vencedores e a abordagem centrada nos derrotados.
Se o tempo de antena me permite vou então debruçar-me sobre a abordagem dos derrotados (ou vice-vencedores, como queiram). E dentro dos derrotados podemos seguir um de dois caminhos, e eu vou optar por um desses caminhos embora não faça questão de esclarecer os leitores sobre a conjuntura desses caminhos, acima de tudo porque este parágrafo está a tornar-se um parágrafo cheio de coisa nenhuma.
Pois bem, na minha opinião, válida para qualquer círculo eleitoral - e reparem que estou mesmo na base da hierarquia das leituras políticas-, houve dois grandes derrotados.
Um deles fui eu. Não me lembro da última vez que falhei uma votação, mas sei perfeitamente que nunca acertei no lado vencedor. Já fiz muita cruzinha durante a minha vida de eleitor no activo e nunca tive o prazer de chegar ao final do dia da eleição e sorrir para mim mesmo: “Olha… ganhámos!”. Se por um lado tal constatação me deixa absolutamente frustrado, por outro faz-me pensar que as coisas estão como estão porque o povo não segue as indicações que eu deixo no meu boletim de voto. O que me deixa ainda mais frustrado, ao ponto de ponderar seriamente apresentar a minha demissão como eleitor, entregando o cartão na junta de freguesia.
O outro grande derrotado da noite foram as sondagens. As sondagens colocaram-me numa posição extremamente desconfortável enquanto vendedor de jornais. Pela segunda vez na vida do quiosque temi pela estreia do livro de reclamações (a primeira foi quando convidei uma cliente a escrever no livro de reclamações, ela ir ao carro buscar uma caneta e não voltar para escrever a história). Basicamente, andei a vender aldrabices com margem de erro. Pela primeira vez votei numa sondagem, e para não variar... perdi. Sinto-me, pois, enganado pelos produtos que eu próprio vendo, o que não deixa de ser um duro golpe na confiança que passo aos meus clientes. O papel das sondagens, depois destas eleições, fica ali no cantinho inferior direito, por baixo do boletim meteorológico. Ou nas páginas centrais do Jornal 1X2. E de preferência, publicadas apenas depois de conhecidos os resultados finais.
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