Tenho uma cliente com o cérebro directamente ligado à lingua. Podia até ser um fenómeno bastante interessante não fosse o facto de o cérebro transmitir à lingua da menina informações de uma inutilidade impressionante. A menina tem como hobby fazer verdadeiras dissertações sobre várias temáticas referentes às revista Ana e Mariana, sobre as suas motivações pessoais no momento de optar entre a Máxima e a Elle, embora faça questão de frisar que não leva nenhuma, sobre a importância da ofertazinha da revista Bravo e da espectacularidade dos seus conteúdos que a amiga lhe mostrou quando comprou a revista no pingo doce lá ao pé de casa que dá muito jeito e os produtos do pingo doce aqueles mesmo de marca pingo doce consomem-se muito bem e têm qualidade porque noutros supers não é bem assim às vezes as pessoas têm uma ideia errada sobre estes produtos mas poupa-se e hoje em dia temos que poupar né a vida agora está mais complicada pelo menos a minha mãe diz e isso nota-se há menos pessoas na rua por exemplo, sobre as especificações técnico-tácticas que a levam a pedir que lhe mostrem a filada de publicações de ponto-cruz que se encontra na lateral esquerda do estabelecimento mesmo que agora não tenha dinheiro e que passe mais tarde (e passa, ainda sem dinheiro mas com a mesma vontade de passar mais tarde. e passa, ainda sem dinheiro mas com a mesma vontade de passar mais tarde. e passa, ainda sem dinheiro mas com a mesma vontade de passar mais tarde. e passa, ainda sem dinheiro mas com a mesma vontade de passar mais tarde).
Nos intervalos de todo este diálogo consigo própria, numa batalha constante entre cérebro e lingua, a menina arranja sub-intervalos de tempo para comentar a actualidade nacional, estadual, internacional e interplanetária, embora a ideia que fique no ar é que o cérebro da menina ainda não se adaptou à velocidade da própria lingua. É pena.
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