É suposto que um indivíduo que venda qualquer cócó tenha um razoável conhecimento sobre o cócó que está a vender. A afirmação é válida para quase todas as áreas de negócio, excepto talvez no negócio da política. Os políticos sabem vender, isso não está em causa, mas não sabem o que estão a vender, embora saibam que não sabem o que estão a vender. Na realidade, eles compram enquanto vendem.
Confuso? Não interessa. Onde eu e a minha equipa de vendas queremos chegar é que nós sabemos o que vendemos... mas só até certo ponto. Quando um cliente dá com as trombas na banca é inevitavelmente comido pelas capas das revistas do dia, que passaram directamente do departamento de contagem para o lado de fora do quiosque, sem passar pelo olhar curioso dos vendedores, que têm mais que fazer que andar a meter o focinho em vida alheia. Isto significa que embora nós saibamos que lá fora estão revistas, e tenhamos umas noções básicas sobre o seu processo de fabrico, desde o abate da árvore até ao seu acondicionamento e distribuição, nós por cá falhamos redondamente ao nível do conhecimento e cultura geral que tais produtos nos oferecem. E falhando nesta vertente, falhamos no diálogo que tão nobres clientes nos propõem, essencialmente sobre o conteúdo e forma da dita cuja.
Há dias passei por uma vergonha por não conhecer Fulana F, que entrava na Telenovela T e que andava metida com o Engatatão E. Tudo isto se passava na Revista R, que eu e os meus vendedores chutamos para a Banca B todas as santas semanas. Era mais que evidente que o Cliente C queria conversa sobre o assunto, mas não havia maneira do Vendedor V dar troco. Inevitavelmente, tal vendedor teve que ouvir o que sabia que um dia iria ouvir: "então você não sabe o que está vender, homem??".
Eu não sabia. Aliás, o Vendedor V não sabia. E Cliente C ficou de tal forma indignado com tamanha ignorância que não levou a parva P da revista.
O Vendedor V levou uma esfrega do Chefe C. Agora anda com mais atenção ao conteúdo. Já sabe até que um tal de Williams vai casar com uma Kate numa ceriminónia muito importante, que a Julia Pinheiro está de rastos, cansada, mais magra e sem tempo para a família, que a Zé está numa tribo, e que há um concurso de gordos na televisão. E o resto é conversa.
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