3 meses de gato e está na altura de fazer um balanço. Mas antes de balançar vamos ao meu historial de animalidades. Hamsters/Tartarugas/Hamsters, por esta ordem, e num total de aproximadamente 50 exemplares (2 tartarugas e o resto em ratos). Muito possivelmente nenhum deles terá sobrevivido para contar a sua história nas minhas mãos (a não ser que as tartarugas tenham sido bafejadas pela sorte, o que sinceramente duvido muito).
O parvo do gato caminha a passos largos para seguir as pisadas dos outros. Como animal é a desilusão em pessoa. Para o espaço que ocupa e para a liberdade que goza dentro de uma casa, não é muito mais divertido que um rato a correr dentro de uma roda horas sem fim. O gato faz lembrar o tipo que vem com o amigo jantar cá a casa, que conta uma resma de anedotas de penalty, e se cala para o resto da noite. O gato, ao fim de uma semana, já esgotou as piadas todas. Torna-se estupidamente previsível e, pior que isso, o animal mais chato lá de casa. Vinte anos depois de um parvalhão me despechar um balde de areia pela cabeça abaixo, voltei a proferir a frase "tu não sabes brincar, pá...", só que desta vez a um gato.
Eu não percebo nada de gatos, mas supostamente um gato não morde. Ou pelo menos, um gato minimamente inteligente não morde continuamente quem lhe dá de comer e de dormir, mesmo que "ah e tal miau miau... estava só a brincar miau miau", e mesmo que continuamente leve no focinho cada vez que resolve espetar os dentes em carne alheia (isto é válido também para o fiambre que ele rouba ao pão das crianças). As crianças, as crianças... As crianças adoram o bicho e o sentimento é recíproco. Quando chegam a casa correm para o bicho e o bicho também. O bicho também corre, mas para longe delas, principalmente do mais novo, que o costuma agarrar pela parte do corpo que está mais à mão, que normalmente é uma das 4 patas (sim, miracolosamente, ainda tem as 4). Há ali uma troca de mimos e festas muito breve, que termina com a frase "Paaaaaaaaaaaaaaaaaai!! Tira o gato daqui!!!! Ele não sabe brincar". E como o gato não sabe brincar e não sabe estar, passa na solitária a maior parte do seu tempo (a solitária é o espaço que vai da ponta da sala até à ponta da cozinha, onde tem livre trânsito para fazer o que bem entender, desde que sozinho). Penso que é melhor assim para ambas as partes: nós não somos importunados e ele não leva no focinho a toda a hora.
Depois temos a parte financeira do bicho. Ração + água (não há cá boscoitinhos nem nada dessas merdas, que não estamos em tempos de grandes luxos). Areia onde defeca várias vezes ao dia, em quantidades impróprias para o seu tamanho, na minha opinião. E depois aquilo que mais custa: tratar da saúde ao gajo. Mais de 50 euros em vacinas + o que se vai pagar para lhe tirar o apetite sexual, que não deve ser pouco (o apetite e o que se vai pagar para o tirar).
Nem tudo é mau. O gato a dormir é lindo. Não incomoda, não morde, esconde as unhas e no inverno aquece os pés, desde que os pés não se mexam. Proporciona alguns momentos de diversão logo depois de lhe serem cortadas as unhas. Perde aderência e é vê-lo a entrar em despiste nas curvas e espetar-se contra a parede. Às vezes faz companhia, embora não seja propriamente uma mulher com pêlos, como uma vez alguém lhe chamou.
O gato não é parvo nenhum. Anda a comer uma cadeira e parece que aquilo é sério. Embora a cadeira tenha descido na minha consideração ao deixar-se comer assim por um gato tão novo, enquanto o gato a come está entretido e não aborrece ninguém. Além de que a cadeira não se queixa e por mim tudo bem. É uma cadeira com 5 anos e com corpo de 10, e o gato não é esquisito.
Há dias dei por mim a perguntar ao google "quanto dura um gato" e a resposta preocupa. A mim e ao gato.
Para já é tudo.
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