O computador já teve muitos donos. O que o comprou conseguiu um financiamento muito jeitoso e equipou-o à maneira. O seguinte foi embora assim que apareceu o primeiro écran azul. Veio então um novo dono que o largou assim que o tio emigrado lhe ofereceu um melhor, e o irmão mais novo ficou entusiasmadíssimo quando lhe o passaram para as mãos. Mas o rapaz não sabia mexer na coisa e veio um tipo que não era da família e ficou-lhe com aquilo.
"Aquilo" é um daqueles 386 do início dos 90, com leitor de disquetes e carregado de portas paralelas. O dono actual tenta à força fazer correr o windows 7, apesar dos sucessivos avisos que aquilo não vai dar, que não aguenta. Mas o dono é teimoso. Os técnicos fazem-lhe ver que não será má ideia fazer um upgrade à motherboard, à placa gráfica e aumentar aos poucos a memória. E o dono responde que o computador está óptimo, não precisa nada dessas reformas, dá perfeitamente para ir fazendo os trabalhos para os amigos do prédio da esquerda. O vizinho do prédio da direita, que também quer ficar com o computador, diz que sim, que consegue fazer correr o windows 7, que só precisa de substituir o leitor de disquetes por um leitor de cd's de 4 velocidades. Ele também precisa do computador para fazer uns trabalhos para os seus amigos, mas acha que é melhor mesmo chamar um técnico para ver o que se passa com o equipamentp. O dono diz que não, que o computador é frágil e "os técnicos ainda vêm fazer pior, isto basta limpar-lhe o pó uma vez por mês e subsituir as peças que se vão estragando. Não seja tonto, vizinho". "Mas ó vizinho, as peças que o senhor está a comprar já são consideradas antiguidade! São caríssimas! Ouça o que lhe digo: isso precisa de um leitor de cd's de 4 velocidades e... pronto, talvez precise também de mais 1 mega de memória".
O tempo foi passando e deixou de haver dinheiro, tanto para subsituir as peças antigas como para comprar leitores e memórias de 1 mega. Os vizinhos chatearam-se, até que o computador avariou de vez, e na impossibilidade de comprar um novo, o vizinho do prédio da esquerda decidiu, em desespero, chamar um técnico para arranjar o velho 386.
O técnico já chegou e vai tentar compor o bicho. O técnico é um safadão que cobra balúrdios, mas o único no mundo que sabe arranjar um velho 386. Iniciado o trabalho de recuperação, o técnico depara-se com o caos. Apenas a pasta "amigos" está organizada. Mas repleta de virus. E dentro da pasta "povo"... um enorme vazio.
Portugal é um 386.
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