É relativamente previsível atender três clientes malucos consecutivamente. Estatisticamente falando, mais que previsível, é tão certo como o meu gato se chamar Messi da Silva. Pior. Mais certo ainda que serei eu a antendê-los, o que significa que os malucos saem à rua logo pela manhã. Sociólogos, apanhem esta.
(Peço atenção, que quando digo malucos, não me refiro a humanos com nítidas incapacidades para processar pensamentos sensatos e agir de acordo com. Também os há. Só não aparecem é com muita frequência. Para mim malucos são humanos com desvios significativos ao nível global, estejam eles em qualquer zona do seu lindo corpo. Mas a origem parte sempre da zona cinzenta do cérebro, admito, e agora vamos em frente, que o parêntesis vai longo... Por exemplo, é usual senhoras de bigode - eu sei que está na moda - comprarem a Maria e a Telenovelas, isso para mim é ser maluco. Outro caso de maluquice pura é sair à rua de robe e chinelos e fazer 200 metros para vir buscar tabaco para o marido que está na pesca; eu sei que são 200 metros porque sei onde vive a senhora de robe e chinelos e estou até curioso para um dia a ver de calças de ganga e bota até ao joelho. Eu podia ficar aqui o dia todo a falar de malucos, como aquele que fica especado a olha para mim durante 10 minutos, balouçando ligeiramente e de forma ritmada ambos os pés, sem nunca abrir a boca até que à 3ª tentativa de lhe sacar 3 euros e tal por um maço de tabaco, ele abre a boca e pede um maço de tabaco. E agora que já batemos o record do mundo do parêntesis, maluco maluca é a lady que compra pornografia para o marido, que ele anda insuportável desde que deixou de fumar)
Dizia eu que qualquer coisa como receber malucos é uma honra e um tiro certeiro na rotina. O que me faz mal, e vai contra todos os dados estatísticos que um dia hei-de levantar, é apanhar em simultâneo com: o velhinho que insiste em dar trocado e conta e reconta tudo, até chegar o segundo velhinho que me está a contar em capítulos (vamos no 13º) a história da vida mas que se perde na conversa e salta para a história da vida do primo e do tio-avô, tudo isto até que chega o 3º velhote e me faz um filme do caraças durante um tempo interminável, a pedir para trocar o Contactos Íntimos pela Semana Erótica, que ele anda nervoso porque deixou de fumar e a velha dele fez confusão nos títulos quando me pediu pornografia para o marido, que é ele próprio. Juntar isto tudo no mesmo intervalo de tempo é estatisticamente quase impossível. Portanto, o meu problema é velhinhos. Isto passa.
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