Uma segunda-feira de Julho. Ela inicia a primeira semana de férias. Ele não, ainda vai trabalhar até 4ª, possivelmente 6ª também tem que ir. É certo que vai levar trabalho para férias. Não há filhos, talvez mais tarde, quem sabe. Assistem ambos ao prós e contras. O tema é absolutamente desinteressante para ela. Ele presta atenção aos primeiros 15 minutos, gosta de ouvir o Moita Flores. Depois pega no folheto semanal do Liedl.
Está cada um no seu sofá de 2 lugares comprados nos saldos da Moviflor num domingo chuvoso de Novembro. Ela disse "este nem é feio". Ele acenou com a cabeça, pouco convicto mas resignado, e ainda trouxeram um tapete beje para o quarto, que acabou oferecido à sogra de um deles pelo natal. São onze e cinco da noite, lá fora está uma noite agradável. Um deles, talvez ele, levanta o rabo do sofá nº1 da Moviflor, apenas o rabo, e solta um pum bem audível. Sim, foi ele. Ela só o faz quando está sozinha ou com a mãe. O Moita Flores continua a falar. Ele recolhe o rabo e vira mais uma página do catálogo. Os porta-cds de 24 unidades de capacidade vão estar a 99 cêntimos até final da semana. Pensa "não tenho tantos cds, é pena..." e vira mais uma página. Por breves instantes, ela pensa no pum dele. Não ri, não pestaneja, nem mostra desagrado. Esquece rapidamente e continua a assistir ao prós e contras, sem ouvir. O comando está entre as pernas dele. Ela hesita entre começar o segundo capítulo da sebenta de "Marketing directo" do mestrado e pedir-lhe que atire o comando. Esperguiça-se mais uma vez, coça uma virilha com veemência, tira os óculos, inicia um lento movimento, primeiro com o tronco, depois com a cabeça. Desiste e regressa à posição inicial. Ele adormece no sofá, num intervalo, ao som de uma música de um anúncio da vodafone, que "até é gira esta música", atira ele para o ar mesmo antes de adormecer, quebrando um longo silêncio desde o pum. Uma mosca pousada no candeeiro (oferta da sogra de um deles, o candeeiro, atenção, que a mosca chegou mais tarde) levanta vôo pela primeira vez desde o início do programa. "É", diz ela. Vencida pelo tédio e conquistada a última vaga de perguiça, desgruda do sofá e dá-lhe um tímido toque na mão enquanto anuncia "vou para a cama". Ele faz "hum" e muda de posição, fazendo cair na carpete as promoções do Liedl.
O casamento, ou namoro, ou o que quer que fosse, termina dois meses mais tarde. Ela faz questão de ficar com os sofás.
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