Terça-feira, 6 de Janeiro de 2009

Luz em baixo

Uma coisa bastante parecida com sentimento de culpa, mas que não é bem isso (será antes uma ligeiríssima imprecisão na forma como comuniquei a vós leitores um habitual queixume em relação às dimensões do quiosque, mas que incomoda um pouco atrás da orelha) paira neste momento sob os ombros da pessoa que habitualmente por aqui escreve (muito hábil esta forma de tentar escapar imune a esta polémica… em vão, eu sei).

Isto é capaz de ser longo, vão lá fazer o que têm a fazer e voltem, que eu não divido isto em duas partes porque já me conheço e tenho a certeza que a 2ª parte nunca veria a luz do blog.

Vamos começar pelo princípio. Ora bem, tudo começou há 4 mil milhões de anos atrás. Um fenómeno difícil de explicar, a que alguns chamam big bang e outros “uma puta de uma explosão que pariu o mundo!” deu início a toda esta confusão.
4 mil milhões de anos e 9 horas depois, o quadro do quiosque foi abaixo.

Aparentemente a coisa seria fácil de resolver. Bastaria colocar novamente os botões no sítio, pensava eu. Puro engano. Botão on, botão off, sai tripla, entra tripla, liga registadora, desliga payshop. Nada. Botão de reiniciar nem vê-lo.
No fundo, estava apenas a fazer-me de entendido na matéria, porque eu estou para electricista como o José Alberto Carvalho para guarda-redes de hóquei em gelo.
Só me restava uma alternativa: EDP.

Lá chegado, o simpático senhor que ouviu os meus lamentos demorou 2 minutos a mandar-me embora. Qualquer coisa como “isso deve ser um problema no quadro, não podemos fazer nada…”. Sem querer apontar nomes, o homem tinha as palavras “Jorge” e “Meireles” coladas no fato. Não sei ao certo o que significam, mas fica aqui o registo.

O plano B passava por encontrar um electricista. Primeira paragem: a Electrofoz do Sr.Antunes. “Ainda agora saiu daqui um. Assim que passar outro eu mando-o para o quiosque”. Segunda paragem: Ferragens Simões. “Costuma andar aí um, se ele aparecer eu mando-o para o quiosque”. Última e desesperada paragem: Pensão Moderna. “Vou ligar ao João Fiozinhos e se ele estiver disponível mando-o para o quiosque”.
Regresso eu ao quiosque, rendido à evidência que é mais difícil encontrar um electricista disponível que um treinador competente para o Benfica.
Quinze minutos mais tarde, tinha 3 electricistas à porta do quiosque.

O meu pai sempre me disse que em cada 3 electricistas só 1 é competente (não disse, mas deve ter pensado e depois esqueceu-se de me dizer). Eu tinha ali 33,33% de probabilidades de escolher o competente, mas a coisa decidiu-se por ela mesmo. Ganhou o electricista que primeiro encontrou a porta dos fundos, se bem que o senhor de bigode me inspirava mais confiança.

Foi tudo muito rápido. O quadro foi aberto e a conclusão foi que a corrente não chegava lá. O problema estava no exterior. E se o problema estava no exterior, a resolução do problema passava pela… EDP. Conclusão: o electricista mais rápido nem sempre é o mais competente.

Desta vez não fui conviver com o Jorge Meireles. Telefonei para o apoio técnico, que me deixou surpreendido. Não fui obrigado a ouvir as promoções em curso antes de ser atendido. Não tive de introduzir mil e um dígitos para navegar por menus até chegar à opção supostamente indicada para o meu problema. Não tive de debitar o meu nome completo, data de nascimento, nº de contribuinte, nem a minha situação fiscal. Não tive de escolher entre alta e fofinha ou fina e estaladiça. Limitei-me a reportar a avaria e comunicaram-me que dentro em breve estariam por cá.

Breves 120 minutos mais tarde, cá estavam eles. Abre quadro, fecha quadro, abre quadro. Não há corrente, a corrente não chega cá. Onde está o raio da corrente? E lá foram eles tentar descobrir de onde era puxada a electricidade. Abriram uma caixa da EDP. Duas. Três. Correram as caixas todas num raio de 500 metros. Nada. Entretanto chegou mais um senhor da EDP. E depois outro e mais outro. Nada. Depois veio o engenheiro e mais tarde o engenheiro-chefe. E chega mais um e depois outro. Estava ali certamente metade do pessoal da EDP da região. Electricidade nem vê-la. As acções da EDP a derrapar. Até que chegou o ajudante-chefe ou camandro. A julgar pelo hálito, era o único que já tinha almoçado. E grita “Oh pá, eu conheço este quiosque há mais de 40 anos, ainda do tempo do senhor Bóia! Abre o porão!”.

O quiosque tem um porão. São mais 6 metros quadrados de quiosque. Não para a frente, não para o lado, não para trás. Para baixo! O quiosque tem mais 6 metros quadrados… para baixo. É indiferente. Está cheio de água e de ratos. E de fios eléctricos.

4 mil milhões de anos e 13 horas depois fez-se luz.
publicado por ardinario às 23:22
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5 ardinarices:
De @na a 6 de Janeiro de 2009 às 23:47
ahahahahaha.... portanto, além de quiosque pode-se dizer que é uma colónia balnear para ratos...


De Sousa Cintra a 7 de Janeiro de 2009 às 14:42
... e esse porão não pode ser aproveitado para lá enfiar todos os stocks de garfos, facas, copos, DVD, CD, sacolas, biquinis, chinelos, chapéus, santinhas, medalhas e afins que vêm atrelados aos jornais? Talvez os ratos lhes dessem uso. :-)


De jls a 7 de Janeiro de 2009 às 20:00
Mais 6m2 de quiosque situados em zona nobre, com água e comida à disposição? Eehhhh... Se as Finanças sabem ainda te carregam nos impostos! :)


De ardinario a 8 de Janeiro de 2009 às 10:57
O porão parece ser sem dúvida um mar de oprtunidades. Mas ainda não sei que uso dar àquilo... dava-me muito mais jeito se o alçapão estivesse na parte de fora do quiosque, ali mesmo onde os clientes param...

"Olhe desculpe, mas o senhor enganou-se no troooooooooooooooooooooooooooooooco..."


De @na a 8 de Janeiro de 2009 às 10:58
que maldade...tss...tss...


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