Quarta-feira, 27 de Dezembro de 2006

8:20 AM

Olha, lá andam outra vez estes vampiros. Não dou um centavo a esta cambada de ladrões! No outro dia deixei ali o carro ao pé do café, ali ao lado daquela árvore, tás a ver? Deixei lá o carro... esta tem piada. Deixei lá o carro. Nem sequer o tranquei, ia só levantar dinheiro. Quando volto estava o gaijo de volta do carro, a olhar lá pra dentro. Olhava lá pra dentro, olhava para a matrícula, olhava lá pra dentro. Lá com a maquineta. Eu chego-me e digo-lhe “oh pá...”. Eu com esta malta não quero saber, não há cá falinhas mansas. Digo-lhe “oh pá há problema?”. E o gaijo “o ticket, o ticket”. E eu “espere lá que já vou tirar o ticket. Mas vou de carro”. Meti-me no carro e fui embora e o gaijo não fez nada. Nem teve tempo o cabrão. É o que eu te digo, pá! Com esta malta tem que ser assim. Olha, faz-me lembrar aqui há uma série de anos, ali ao pé do mercado. Havia uma velhota que tinha... oh pá uma velhota daquelas que tem a mania que sabe tudo. E o raio da mulher, sempre que a malta passava por lá a falar assim um bocado mais alto, pá, a mulher mandava sempre uma boca qualquer. Nem me lembro bem do que a velha dizia... Ah, e isto a propósito de quê?... hmmm... Pois é, pá, esta malta dos parquímetros pensa que agora com a farda são os maiores. Sabes aquele puto que anda por aí a tombar nos cantos? Oh pá, o pai dele... eu era muito amigo do pai dele. Coitado do homem, não teve culpa do filho que teve... Na altura, já há uns anos... Acho que tu ainda não estavas cá... falava-se muito que a mulher tinha uns esquemas lá com o negócio da loja dela. Tás a ver qual é? Ela agora já não está na loja, quem toma conta daquilo acho que é uma sobrinha, mas aquilo já não dá nada. Eu era muito amigo do pai dele. Ele tinha piada, era um gaijo humilde. Ele tinha muita massa, mais era um forreta do caraças. Olha que uma vez távamos a jogar matraquilhos, ali nos Combatentes. Fizémos dois joguitos, o pessoal tava todo entusiasmado e olha que o homem, lá porque só tinha uma nota grande, não a queria trocar, e eu fartei-me de gastar dinhero naquela porra, pá! Mas era boa pessoa. Morreu no hospital o homem. Num instante. (...) Estes míudos, olha pra isto... enfim... Pois é, pois é... Então e o Jorge? Tem passado por aqui? Vi-o no outro dia, a passar ao longe. Está mais magro, o gaijo. Eu tenho a impressão que ele me viu, eu até fiz sinal. Ele ía do outro lado da rua, acho que ele me viu. Mas devia tar com pressa... ou então não me viu. Nem sei o que ele anda a fazer. Eh pá ainda tenho que ir aos correios. Eu agora é que sirvo de moço de recados, sabes? Ela tá meia doente e é melhor não sair muito. Depois passa o dia a queixar-se que lhe dói aqui e acolá... E já não tenho paciência para aturar essas merdas. Dá-me o Correio da Manhã.
publicado por ardinario às 22:13
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7 ardinarices:
De Anónimo a 27 de Dezembro de 2006 às 23:21
Olá Quiosque,

Passo hoje por cá para te desejar um 2007 cheio de vendas e saúde.

Aquele abraço e, se conduzires não bebas.


De Anónimo a 27 de Dezembro de 2006 às 23:21
Olá Quiosque,

Passo hoje por cá para te desejar um 2007 cheio de vendas e saúde.

Aquele abraço e, se conduzires não bebas.


De puxasaco a 28 de Dezembro de 2006 às 11:20
O que um vendedor de jornais tem que ouvir pra vender um exemplar!
O melhor ano de sempre e muitos posts no quiosque.
Um abraço


De ZORRO a 28 de Dezembro de 2006 às 18:49
e o mais incrivel é que esse deve ser um entre muitos...


De Sena - GoLiAs a 29 de Dezembro de 2006 às 03:32
Irra! Eu odeio conversa fiada! Mas, ó Ardinário, se estás colocado na esquina de duas ruas, é o que se tem de gramar! Infelizmente :S
Anyway, se calhar é melhor não dizer a esse senhor que o Jorge simplesmente o evitou! Não fosse o Diabo tecê-las! É que provavelmente, ele (o Jorge)ainda queria deitar-se cedo nesse dia!

1aB e passem na minha rádiozinha, online 24h!


De Anónimo a 29 de Dezembro de 2006 às 10:27
As cidades têm cada vez mais gente a falar sozinha. Esse-vá lá, vá lá- ainda compra o jornal...


De antonio boronha a 30 de Dezembro de 2006 às 23:20
um abraço e muitas vendas em 2007.
sobretudo de revistas e jornais.
(metade dos lucros? não é?...)


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