Segunda-feira, 13 de Abril de 2009

O físico do homem e a física do quiosque

Apraz-me bastante a ideia de ter ideias. O problema da ideia de ter ideias é quando as ideias têm a ideia de passar para o papel. A ideia de ter uma TV no quiosque, mesmo que venha a falhar no seu objectivo principal, continua a ser uma boa ideia, acima de tudo porque é um óptimo meio de comunicação com o cliente. Mas a ideia de ter uma TV no quiosque está agora pendurada por um pormenor ignorado pelo esboço original e levantado agora pelo cabrão do papel: a questão física da concretização da ideia, e suas implicações no físico de um gajo.

A história do quiosque diz-nos que ainda não passou um ano após a mais profunda remodelação do seu interior: a substituição de uma mesa de plástico por duas de madeira. Tirando o material, a cor e a arrumação, afinal pouco mudou. Continua a haver uma dificuldade enorme em gerir a circulação de duas pessoas lá dentro. Apesar de facilitar a gestão de horários do pessoal – fazemos os possíveis para que patrão e funcionário raramente se encontrem lá dentro em simultâneo - é incómoda a situação de um deixar passar o outro, verificando-se simultaneamente um inevitável e desagradável roçar de dois corpos do mesmo sexo.
Ou seja, das duas uma: ou contrata-se uma miúda gira de formas esculturais– opção que provocaria certamente uma diminuição do agregado familiar e que mais não seria do que ir buscar a um lado para ir tirar a outro – ou atira-se uma das mesas para a fogueira.

Infelizmente, é este o único caminho possível a seguir. Para entrar uma televisão dentro do quiosque, alguém ou alguma coisa tem que sair.
A mim ninguém me tira. O funcionário não tem para onde ir. Já uma mesa... despede-se com relativa facilidade, sem justa causa e com guia de remessa para o quarto dos miúdos. E se com esta opção conseguirmos melhorar o tráfego humano dentro do estabelecimento, a decisão parece ainda mais acertada.

Mas vai haver problemas. Vai. Assim de repente lembro-me que as manhãs de sábado vão ser um sarilho dos grandes. As duas mesas garantiam uma linha de montagem do Expresso minimamente eficiente. Uma só garante que vai haver alguém a fazer agachamentos consecutivos de modo a juntar o caderno de Emprego ao suplemento de Economia. A retirada de uma das mesas implica ainda que a posição “sentado” se tornará uma miragem e que a palavra “varizes” entrará para o vocabulário dos colaboradores do quiosque. E já não quero falar da questão das sobras, amputadas de um importante suporte, ou da própria organização das prateleiras, futuras vítimas dos danos colaterais causados por tão delicada decisão.

Será este o preço a pagar pela ideia. Alto ou não, tudo depende de quanto tempo o herói vai demorar a assaltar o quiosque, e levar para casa um lcd de 32 polegadas.
publicado por ardinario às 18:12
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4 ardinarices:
De Insano a 13 de Abril de 2009 às 20:32
E um suporte no tecto? OU a estrutura não tem força para aguentar?

Abraço,


De ardinario a 13 de Abril de 2009 às 20:41
Ui nem pensar. Se mais de 10 pombas pousam no tecto corro o risco de ficar com um quiosque descapotável :)


De matrafisco a 14 de Abril de 2009 às 23:20
mesas desdobráveis?


De ardinario a 14 de Abril de 2009 às 23:33
Uma das mesas é desdobrável. A outra foi a escolhida para abandonar as instalações. Mas agora que me lembro, esta foi montada no interior e tenho sérias dúvidas que passe na porta...


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