Quarta-feira, 21 de Setembro de 2011

Outra vez aquilo do gato

Outra vez aquilo do gato.

O gato viu a sua pena suspensa. O poker tem corrido bem e deixou de haver a necessidade de colocar as culpas no bicho quando o meu par de ases é batido por um trio de duques. Foi assim reintegrado no ambiente familiar e autorizado a deambular pelas divisões da casa, embora com extrema vigilância.

Uma vez que uma das brincadeiras lá por casa envolve bonecos, que podem ser piratas, animais ou nenucos, decidimos integrar o gato nas filmagens, onde passa a ser o mau da fita. Todos os bonecos são bonitinhos, bonzinhos e lutam por um mundo melhor. O gato é o "gato gigante" que amedronta tudo e todos. No fundo, apenas tem que ser igual a ele próprio. Basicamente, os bonecos bonitinhos, bonzinhos e que lutam por um mundo melhor, caem frequentemente (são empurrados para) nas garras do gato-gigante. São violentemente mordidos e arranhados e há depois um boneco que se arma em super-herói e tenta salvar o amigo. O amigo safa-se e o super-herói fica preso nas garras do gato-gigante, e assim sucessivamente, até todos passarem pelas garras do felino e todos serem salvos, excepto o último, que morre.

Claro que o gato-gigante se cansa de morder bonecos que não dão luta e a certa altura vira-se para a carne humana. É então que surge o homem-super-gigante (eu próprio) que com um golpe certeiro põe na linha o gato-gigante. Depois voltamos ao início até serem horas de jantar.

Ao mesmo tempo fomos descarregar o Talking Tom 2, uma aplicação em que o gato Tom imita com uma voz muito cómica tudo aquilo que ouve. Insultamos o gato Tom com frases tipo "és mau, feio e tens os dentes podres" e ele repete "és mau, feio e tens os dentes podres". Mais uma vez é uma brincadeira de loop. "Estás a imitar-me, gato mau??". E ele responde "estás a imitar-me, gato mau??". "Estás a gozar comigo??". "Estás a gozar comigo??". É então que usufruimos de uma das melhores carcaterísticas da aplicação: dar chapadas ao gato até ele ficar KO. Há 3 maluquinhos (1 deles adulto) a dar chapadas a um telemóvel, gera-se a galhofa total, toda a gente quer acertar no gato, até que o gato cai e o telemóvel também, e acaba-se a brincadeira. Também há um cão que se aproxima do gato e dá um pum gigantesco e o gato passa a dizer as frases com uma pata no nariz.

Quando não se justifica bater no gato-gigante, desanuviar um bocadinho com o Talking Tom 2 é a opção mais correcta, desde que os níveis de sanidade mental dos envolvidos permaneçam intactos. Até ver está tudo bem.

publicado por ardinario às 12:19
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Terça-feira, 20 de Setembro de 2011

A vida é bela, mas só a partir das 9 da manhã

21.15: Final de futebolada.

21.20: Impecável! Nada me dói!

23.00: Dói-me tudo.

23.30: Dói-me tanto tudo que não dá para adormecer.

00.15: Ainda acordado.

00.32: Ainda.

00.49: Cheio de sono, mas o corpo não acompanha.

01.25: Talvez já estivesse a dormir, não há provas concretas.

03.21: Pesadelo nº1: caí no buraco da Madeira.

03.22: Acordado.

03.40: Ainda acordado.

04:01: Já durmo! Tenho provas.

06:00: Nada a assinalar.

07.00: Nada a assinalar.

07.15: Despertador acorda.

07.20: Ainda a dormir.

07.25: Despertador volta a chamar a atenção.

07.35: Despertador mostra alguma impaciência.

07.40: Dormir é lindo!

07.45: Está alguém a cantar no quarto.

07.46: F******!!!!

07.47: Xixi

07.47: Dói-me tudo quando faço xixi.

07.48: Duche.

07.48: A queda de água provoca-me fortes dores no corpo. Reduzo pressão para mínimos históricos.

07.50: Programo mentalmente os próximos 10 minutos: leite, dentes, comida para o gato.

07.51: Acrescento à lista "Não esquecer de vestir!!!"

08.04: Chego ao quiosque. Não me recordo do código do alarme.

08.05: Toca o alarme. Toca o telefone. Acerto na password!

08.07: O volume de TV7 Dias provoca-me espasmos musculares só de olhar!! Guardo para mais tarde.

08.08:

 

- Bom dia, alegria!!! Queria a TV 7 Dias!!

- Ok.

- Bem disposto? :)))))))))))

- Sim.

- Isso é que é preciso!!!

- É.

- Temos que começar bem o dia!!!! :DDDDDDDD

- Temos.

- A mãezinha tá boa?

- Tá.

- Isso é que é preciso!!! :))))))

- É.

publicado por ardinario às 10:36
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Terça-feira, 13 de Setembro de 2011

Reza para que não chova

Após 9 meses de vida em comum, eu e o gato estamos quase a chegar a um ponto de ruptura. Aquilo que era um gatinho fofinho e mauzinho com 3 semanas de idade é agora um gato fofo e mau com 9 meses e 3 semanas de idade. Vacinado (32,75€), esterilizado (63,00€) e esfomeado (4,99€ por semana).

Acolhi o gato com um pé atrás. Por duas razões. Primeiro, porque um gato nunca foi o tipo de pessoa que me enchesse as medidas. Segundo, porque quando me foi apresentado atacou-me o pé em vez de me estender a mão. Ao mesmo tempo que o gatinho fofinho e mauzinho me agarrava o pé, tinha duas crianças agarradas às minhas pernas, implorando "por favooooooooooooor, pai, fica com o gatinho que é tão fofinho!!". Nove meses e três semanas depois, tenho duas crianças agarradas às minhas pernas, implorando "por favooooooooooooor, pai, tira o gato daqui!!". E o paizinho, que sou eu, pega no bicho, acompanha-o à cozinha e antes de lhe fechar a porta, faz-lhe o olhar "percebes porquê, são os teus dentes..." e o bicho retribui, baixando as orelhas como que a pedir clemência, o que deixa o paizinho ligeiramente comovido durante algumas décimas de segundo. Tirando aquela infelicidade em que o bicho se esqueceu de recolher a cauda para a cozinha (ou terei sido eu a fechar depressa de mais?), tudo o resto é pura rotina.

Gato, não recordo com precisão em que altura deixou de existir aquela cumplicidade entre nós. Diria que terá sido assim que te instalei lá em casa, 20 minutos depois de te conhecer. Ou quando saquei do cartão multibanco após a tua primeira ida ao veterinário. Mas estou certo que teres inutilizado para sempre a HP2360C pesou na quebra de confiança. Não duvides que apesar de todos os meus alertas, teres saltado inconscientemente para cima da prateleira da estante, arrastando a própria estante para o chão e decapitando uma linda mulatinha de porcelana, contrubuiu fortemente para me obrigares a gastar uma das tuas vidas. E que a tua tendência sem fim para espalhares pelugem pela casa fora, já para não falar da imbecilidade que é fazeres da banca da cozinha uma zona de caça, marca um ponto de não retorno na minha decisão de terminar a nossa relação.

Lamento por te ter julgado mais inteligente. Não foste lá com porrada nem com gritos nem com mimos. Lamento todo o fiambre que desperdicei contigo e aquela perna de frango esquecida na mesa, enquanto fui buscar uma jola ao frigorífico. Ao princípio não estranhei a tua obsessão pelas roupas de silicone das Polly Pocket da Maria, da forma como as deixavas na minha mão e eu as atirava para longe para as ires buscar. Sentia ali que eras o cão que eu nunca tinha tido, aliado ao facto de morderes tudo o que mexesse. Só te faltava ladrar. Mas isso não chega e o facto de morderes é no fundo incrivelmente irritante e decididamente não disfarça o teu ar felino. Também acho que nunca gostaste de mim. Revelas algum apreço quando te encho o prato de ração, apenas isso. Ou quando sabes que o fiambre passou o prazo de validade e está prestes a chegar até ti.

Não sei se te dê mais oportunidades, mas para já vamos dar um tempo. A varanda virada a oeste é toda tua, reza para que não chova.

publicado por ardinario às 14:47
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Sábado, 10 de Setembro de 2011

Onde estavas no 10 de Setembro de 2006?

Não querendo de forma alguma ofuscar a data que assinala a morte de quase 3.000 pessoas em Nova Iorque, 1.2 milhões de civis iraquianos e 6 civis afegãos por dia desde Setembro de 2001, anuncio que hoje se celebra um pouco por todo o mundo os 5 anos deste blog. Apesar de já o ter mandado à merda várias vezes - e o gajo volta!, o que prova a teimosia que lhe é característica - continuo a ser o maior fã de tudo o que aqui já foi escrito. Há 5 anos começou assim:

 

A vida de um quiosque com 6 metros quadrados de vida vai-lhe ser dada a conhecer através deste blog.
Conheça as novidades, a facturação, as despesas, as dívidas, as histórias, os gamanços e as artimanhas utilizadas pelos clientes para comprar filmes porno. Ao pormenor.
Saiba o que vende mais: Publico ou Diário de Notícias, Bola ou Record, Expresso ou Sol, Gigante ou Ventil, Sábado ou Visão, Caras ou Flash, Playboy ou Penthouse.
Acompanhe diariamente as contas e as aflições de um negócio onde cada cêntimo vale ouro. Os esquemas dos fornecedores, as aldrabices do gestor, as idas ao contabilista, as prometidas obras de ampliação e a terrível busca do caloteiro perdido.

 

Aquele abraço especial aos meus clientes e leitores e um grande beijinho à miss playboy dezembro de 2009, uma grande fonte de inspiração.

publicado por ardinario às 14:53
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Quarta-feira, 7 de Setembro de 2011

O quiosque mais honesto do mundo

Entre muitas, uma das lições mais bonitas que as crianças podem oferecer ao mundo é a forma como conseguem ser sinceras nos seus comentários, opiniões e maneira de ver o que os rodeia. Quando uma criança diz a uma senhora com problemas de peso que “a senhora está gorda”, o que na verdade a criança pretende dizer é que a senhora está gorda.

A criança observa, constata o facto e fá-lo saber junto da pessoa em questão, sem problemas ou rodeios de qualquer espécie. A certa altura das suas vidas, devido a um processo que nem a minha genialidade consegue explicar, às crianças deixa de ser permitido que partilhem com o mundo a sua versão dos factos, sendo verdadeiramente engolidas pela sociedade hipócrita que nos caracteriza. 

No quiosque as coisas seriam mais ou menos assim:

 

Situação: O cliente pede três maços de tabaco.

A criança responsável pelo departamento de vendas do quiosque: "Três??? Não tem vergonha?? Vá-se mas é embora!"

 

Situação: O cliente quer a revista Maria.

A criança responsável pelo departamento de vendas do quiosque: "Aprendia mais se levasse a revista Panda..."

 

Situação: O cliente comprou um fascículo da "Hello Kitty Porcelana" com defeito e vem reclamar.

A criança responsável pelo departamento de vendas do quiosque: "Com certeza foi o meu empregado adulto que deixou cair e vendeu-lhe à mesma com defeito. Peço imensa desculpa. Vou despedi-lo, devolvo-lhe já o dinheiro e os próximos 2 fascículos são oferta da casa, pelo incómodo que lhe causámos. E ainda lhe dou dois beijinhos!".

 

Situação: O cliente comprou um jornal e pede um saco para o transportar.

A criança responsável pelo departamento de vendas do quiosque: "Lamento, mas os sacos custam dinheiro e sujam o ambiente. Compre 10 revistas e eu dou-lhe o saco. Se não quer sujar as mãos para a próxima traga luvas."

 

Situação: O cliente pede para ver a capa da Bola e acaba por folhear o jornal todo.

A criança responsável pelo departamento de vendas do quiosque: "São 85 cêntimos, por favor."

 

Situação: O cliente está muito tentado a levar a mala que vem com a Máxima: "É cara... mas é linda, não acha?"

A criança responsável pelo departamento de vendas do quiosque: "É feia como tudo!"

publicado por ardinario às 10:58
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Segunda-feira, 5 de Setembro de 2011

3a8m

Ccomeço a ficar sem paciência para os elogios à minha paciência. A fama ultrapassou fronteiras, andou a passear pelo mundo e chegou finalmente aos ouvidos do mais novo. As consequências têm sido devastadoras. À semelhança do que a irmã passou, vive neste momento a fase em que obriga o pai a fazer de figurante nas suas brincadeiras (muito infantis, por sinal), chegando a usar a chantagem quando confrontado com a possibilidade de brincar sozinho: "ou brincas comigo ou és mau e vou dizer às pessoas que já vi a tua pilinha". Sinto-me obrigado a ceder perante tamanha ameaça e vou à luta.

Na brincadeira "muito infantil, por sinal" tenho que pegar num boneco ou num carro ou em qualquer outro objecto que esteja à mão, e seguir as instruções para os movimentos e falas. No fundo, o puto é o realizador, produtor, argumentista e actor principal de um filme e eu sou um actor secundário, muuuuuuito secundário, mas imprescindível para o sucesso de bilheteira. Ele é o super-herói e eu sou o mau, que leva sempre porrada, não tem super-poderes e sofre de paralisia quase total. Vou para o filme sem motivação e as minhas deixas são bastante limitadas para o currículo que apresento, mas fundamentais para o super-herói brilhar. Ele diz "agora ficas aí parado enquanto eu te dou murros e no fim dizes ai ai ai ai!!". E eu fico com o boneco mau, imóvel, enquanto levo com murros e no fim digo "ai ai ai ai!!". Depois acaba o filme e começa outro em que sou o cão filho e ele é o cão pai. O cão pai está incumbido de dar comida ao cão filho e o cão pai pergunta-me "o que queres comer, filho?". E eu respondo "quero um croquete de sardinha e amêndoas". E ele grita "PAIIIIIIIIIII!!! Tu não falas!!! És um cão!!!! Só fazes ão ão ão ão!!!". E eu faço "ão ão ão ão" e ele traz-me sopa de cenoura. E ameaça-me " se não comes tudo, vais de castigo para o teu quarto!" e eu faço um "ão ão ão ão" muito comovente, capaz de fazer chorar até o ministro das finanças enquanto sobe impostos. Como a sopa toda e no fim, distraído, digo "muito boa!!!" e ele chateia-se porque eu não ladrei e volta tudo ao início. Às vezes também faço de carro. Geralmente o carro que me é atribuido não tem rodas, e se tem, não pode entrar em grandes aventuras. O carro dele é lindo e robusto, voa e quando bate no meu, fica imóvel, e sou obrigado a fazer a minha carripana entrar em despiste e simular um acidente horrível. Esta é a minha brincadeira preferida porque só tenho que fazer "vrum vrum puuuuuuuuuuuuuuubas!!!!", não sou humilhado com cargas de porrada e não tenho que ladrar.

publicado por ardinario às 12:14
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