Quarta-feira, 27 de Julho de 2011

Como começar um post com "faz-me lembrar"

Faz-me lembrar o vizinho da casa do lado com quintal que tem um gato semi-vadio. O gato é malhado, deve ter uns 3 anos e tem a mania que é herói. Volta e meia envolve-se em grandes lutas com um gatarrão preto vadio-a-tempo-inteiro e obviamente leva sempre no pêlo. É demasiado mimado quando está no quintal a comer peixinho grelhado com batata cozida e assim que chega ao telhado do armazém do lado ainda vai com o chip "eu sou um gato intocável" ligado. Enquanto leva nos cornos do gatarrão preto vadio-a-tempo-inteiro, o vizinho da casa do lado com quintal que tem um gato semi-vadio chama por ele "ó riiiiiiiiiscas!!!". E pára-me o cérebro. Riscas?? O gato é malhado e o vizinho chama-lhe riscas?? Espectacular, tenho um vizinho alternativo! Um vizinho que devora música indie, que apesar da idade leva os filhos e sobrinhos 3 dias a acampar para Paredes de Coura, que lhes oferece preservativos enquanto se embebeda durante a tarde junto ao palco de jazz, que fuma Utah sem filtro para poupar para a viagem de bicicleta pela europa que planeia iniciar no dia em que completar 50 anos, que colecciona manifestações indiscriminadas de mochila às costas, que tem tatuado nas costas o dedo morto que aparece no Blue Velvet de David Lynch, e que é sócio com quotas em dia do Bristol City FC. 

Depois durante a luta seguinte, está o Riscas a levar nas trombas como gato grande e desta vez, muito mais perceptível, ouve-se a voz do vizinho da casa do lado com quintal que tem um gato semi-vadio: "ó whiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiskas!!!". E toda a cena alternativa se evapora num ápice.

 

publicado por ardinario às 10:56
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Terça-feira, 19 de Julho de 2011

o marketing boca-a-boca é isto mesmo

<mode "como fazer rir às gargalhadas um menino de 3 anos" on>

Uma das grandes angústias deste negócio cócó, servido por fornecedores cócó e com margens de lucro cócó, é não poder mexer nos preços tabelados pelos jornais, revistas e cigarros cócó. Corrijo. Poder... posso, mas a margem de lucro derrapa, entra em despiste e eventualmente capota (dumping em linguagem cócó). Ou seja, a margem de lucro, já de si um imenso cócó, desfaz-se num cócó gigante.

<mode "como fazer rir às gargalhadas um menino de 3 anos" off>

Todo este cheiro para dizer que se quero angariar novos clientes, a solução não passa certamente por baixar 5 cêntimos ao preço do correio da manhã, oferecer 1 cigarro na compra de um maço ou distribuir beijinhos vitalícios a míudas giras que efectuem compras superiores a 75 euros (impossível, por isso estou à vontade nesta oferta).

Percebi recentemente que o merketing boca-a-boca pode ser uma boa alternativa, embora não tenha feito nada por isso e muito menos tenha lucrado alguma coisa com o assunto.

Começou com a caça ao carimbo. A caça ao carimbo é uma espécie de peddy-paper em que os utentes do subsídio de desemprego pululam de empresa em empresa a pedir carimbadas numa folha própria para o efeito, a apresentar de x em x tempo no centro de emprego, justificando assim que estão mesmo interessados em trabalhar. Num dia tinha cá um participante, que levou a carimbada. No dia seguinte tinha 10. O marketing boca-a-boca é mais ou menos isto. Falhou. Falhou porque não ouvi frases como "queria um carimbo, dois records e oito tvguias, por favor". Acabou. Acabou porque passei a exigir uma carta de apresentação e o respectivo CV. Lá está, a burocracia, por vezes, pode ser um excelente aliado.

O segundo caso deu-se mais recentemente. Num dia tinha cá uma senhora a pedir que lhe preenchesse um formulário da segurança social a requerer isenção de custas judiciais num processo de despedimento. No dia seguinte tinha cá mais 3 senhoras, e percebi que se tratava de um despedimento colectivo. O marketing boca-a-boca também é mais ou menos isto. Falhou. Falhou porque as clientes não sabiam ler nem fumar. Acabou. Acabou porque aparentemente não houve mais despedimentos.

O que é importante realçar é que sou um gajo porreiro, prestável, coiso e tal, mas estou chateado porque é isto que o boca-a-boca não diz...

publicado por ardinario às 14:27
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Terça-feira, 12 de Julho de 2011

A Crise - fascículo nº3

Já há muito tempo que não escrevo sobre futebol. Então cá vai:

 

(...)

 

Muito bem, seguimos então para o registo habitual.

Estamos com problemas aqui no quiosque (digo "estamos" porque quando há problemas somos todos culpados e quando as coisas correm bem sou o único responsável). Portanto, nós aqui fazemos colecções de crises por fascículos (à atenção da Planeta Agostini, está aqui uma óptima ideia). Começámos por comprar ao senhor da internets a crise da imprensa escrita. Parece que há pessoas que preferem ler notícias fresquinhas num monitor em vez de esperar que saiam em papel no dia seguinte, pagar 1 euro e sujar as mãos. Vá-se lá entender esta gente...

Depois adquirimos uma crise económica e financeira de proporções muito jeitosas. Juntámos à crise anterior, mexemos, abanámos, levámos ao lume e voilá: entre o Record e a Bola, o cliente decide-se por uma Bubblicious de mentol.

Durante o processo de cozedura, visitámos à 3ª feira nacional da crise e somos agora dignos representantes da crise de carácter do cliente. O que é isto da crise de carácter do cliente?, pergunta o senhor ali da 2ª fila. Muito bem, a crise de carácter do cliente, como o próprio nome indica, transforma o carácter do cliente, dando-lhe poderes maquiavélicos que usa em seu proveito para combater a crise de proporções muito jeitosas que falei lá atrás. É o cliente que comprava o seu dvdzinho, punha o respectivo jornal no cesto para o gato e à noite via o dvdzinho descansado no sofá juntamente com o seu gato. Eram os dois muito felizes, o cliente e o seu gato. Agora é o cliente que compra o seu dvdzinho, vende o jornal ao vizinho por metade do preço de capa, vê o dvdzinho descansado no sofá (o gato agora é vadio, dá menos despesa) e no dia seguinte dirige-se ao local de compra juntamente com a caixinha do dvdzinho mas sem dvdzinho e declama o poema "chefezinho, a caixinha vinha sem dvdzinho...".

Como se combate uma crise destas dimensões? Com algum jogo de cintura e muita burocracia. Não afastamos a hipótese da caixinha vir sem dvdzinho, mas não baixmos as calças de imediato. Explicamos a situação ao fornecedor. A situação vai para análise do fornecedor. A burocracia do próprio fornecedor entretém a situação por tempo indeterminado. Assim que obtemos a resposta do fornecedor, burocratizamos a coisa na nossa própria casa, entregando a situação ao Departamento da Análise ao Processo de Coisas, um departamento super-complexo e muito pouco eficiente. Entretanto o cliente pode ter morrido. De impaciência, de tédio ou de morte natural. Se for insistente então se calhar o dvdzinho não vinha mesmo dentro da caixinha. Ganha 1,99€ e um trauma tão grande ao processo que não volta a cair na asneira de reclamar uma caixinha sem dvdzinho, mesmo que não haja de facto um dvdzinho dentro da caixinha.

publicado por ardinario às 11:55
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