Quinta-feira, 31 de Março de 2011

então e novidades?

Uma pessoa tem um quiosque. Ou trabalha lá. Ou tem um quiosque e trabalha lá. E constata que é confrontado com algumas observações/questões tais como "então e novidades, tem alguma coisa?". Ora bem, "então e novidades, tem alguma coisa?" soa tão bem atirado para dentro de um quiosque, como um "então e bolas de golfe, tem alguma coisa?", atirado para dentro de uma loja que vende exclusivamente bolas de golfe. A pessoa fica sempre sem resposta, tanto a que está dentro do quiosque como a que faz a pergunta. A linguagem corporal diz tudo: um olhar em redor, se possível de 360 graus, seguido de um encolher de ombros. Traduzido em palavras... "é o que vê...". Quem quer novidades e se dirige a um quiosque, veio ao sítio certo, que até ver não está em fase de transição para sede do PCTP/MRPP. Mas a pergunta sai, quase diariamente, da mesma boca de sempre.

É só um exemplo, por entre muitos. Os quiosques são invadidos por clientes com rituais próprios. As mesmas perguntas, os mesmos gestos, o mesmo folhear, o mesmo cumprimento, até a mesma camisa ao xadrez por aqui passa, vestida pela mesma pessoa, com uma frequência assinalável, ao ponto de a memória ter deixado escapar o seu nome e sermos obrigados a assinalar no folha de reservas do JN... "senhor da camisa ao xadrez".

publicado por ardinario às 10:34
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Terça-feira, 29 de Março de 2011

Hoje

Desisti de avisar o Manel para não abusar do gato e passei a avisar o gato para ter cuidado com o Manel.

publicado por ardinario às 15:52
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(des)arrumação, um caso típico de loop

Há um intervalo de tempo entre o momento da tomada de consciência que a casa está manifestamente desarrumada e o momento em que é tomada a decisão que é preciso fazer alguma coisa contra isso. A esse intervalo de tempo, que se pode prolongar durante semanas, dá-se o nome de "passividade perante o caos", e que passo a explicar. A "passividade perante o caos" tem início a partir do momento em que temos a certeza que há demasiadas coisas fora do sítio, mas que atingiram uma desordem tal que nem vale a pena pensar muito sobre o assunto, e muito menos agir em conformidade. Nesta altura limitamo-nos a desviar de objectos espalhados pelo chão, a empurrar outros para locais estrategicamente afastados da vista, ao mesmo tempo que pensamos, sem grande preocupações, em como foi possível chegar àquela situação, pela 238ª vez consecutiva. Há coisas que deviamos saber onde estão mas que não são tão importantes assim, e outras que estão ali mesmo à mão, que não servem para nada, mas que a inércia tão característica desta fase nos impede de lhe dar o destino mais certo. Até que chega o momento final da "passividade perante o caos", que andámos a evitar nos últimos tempos. Há coisas de que necessitamos urgentemente mas que alguém escondeu no início da fase, começamos a pisar objectos pontiagudos, há livros na cozinha e copos no escritório (embora pontualmente o inverso também se verifique) e o gato dá pulos de alegria. Então, num acesso de fúria controlada, descontrolamos a desarrumação e horas mais tarde, exaustos mas orgulhosos, pensamos que não vai haver 239ª vez.

 

Puro engano, claro. Sou um desarrumador compulsivo, a toda a hora. E arrumador compulsivo, pontualmente. Sem cura. A própria arrumação, apesar de parecer séria, é de uma desonestidade gritante. Todos os papéis desordenadamente espalhados na secretária passam a estar desordenadamente empilhados dentro de uma gaveta ou caixa, à espera de nova arrumação. Misturam-se contas do gás com post-it's de tarefas ultrapassadas com sucesso (na vã esperança de obter um pequeno impulso de satisfação anos mais tarde, como se isso fosse possível). Atropelam-se carregadores de telemóveis obsoletos por gravadores de cd's perdidos no tempo e usurpadores de espaço. Há fotos da puberdade (rio-me sempre que dou de caras com aquela do P. com um tomate de fora; sim, sou eu que fico com tudo) coladas a bilhetes de jogos basket sem resultado memorizado. Aqui guarda-se tudo, enquanto se aguarda o grande dia da arrumação final, que nunca há-de chegar.

publicado por ardinario às 14:25
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Segunda-feira, 28 de Março de 2011

1,2,3.. quiosque do chinês

O Projecto Salvação dos Quiosques... Já estamos a falar dos dois: eu e o Franco Ricardo, vice-presidente da Junta de Salvação dos Quiosques. Como é que vamos fazer? Como sempre fizémos: esperar que o cliente venha cá. Ou, nalguns casos, vender porta-a-porta.

A nossa linha de produtos vai estar com 19 produtos... MAIS UM! A nossa linha de produtos mais ou menos vai ser esta, portanto é a nossa linha... Vou dar alguns nomes, ãh?...Isto é a nossa linha, mas não quer dizer que coiso, né?...

 

  • Der Spiegel, revista alemã.

  • Le Figaro, jornal francês. Um jornal que há dois anos aqui partiu aqui uma crónica sobre um ministro português... é um jornal fantástico... de direita. Le Figaro.

  • Playboy Espanhola. A Playboy espanhola porquê? A Playboy espanhola para mim é uma revista fantástica! Fantástica! Não vende muito, é certo... ó sócio... por favor, né? Se prefere a Teleculinária... por favor né... senão eu páro... estou concentradíssimo... por favor, né?... A Playboy espanhola é uma revista que não se adaptou ao público espanhol, fez um primeiro trimestre fantástico e teve problemas muitos com a Fabricia porque não lhe pagou mas é uma revista que tanto eu como o Franco Ricardo é uma revista que podemos recuperá-la e que pode dar muito aos portugueses. É uma questão de tentar a partir do Verão, se nós... ou o grande homem (eu próprio) levar o projecto para a frente, né?

  • Diana Moda, revista italiana.

  • Gormitis japoneses.

  • Gomas holandesas.

 

Qual vai ser o 19º produto? O que é que os quiosques têm que fazer com a situação económica que tá? Tentar vender mais, né? Então o 19º produto vai ser... o maior jornal chinês sobre o sporting da actualidade!! Porquê? Porque o melhor jogador chinês da actualidade vem jogar para o Sporting e vai vir resmas e charters de chineses a viajar todas as semanas para Portugal para invadir hoteis, restaurantes e museus e a querer saber notícias sobre o chinês. Depois vamos abrir um mercado asiático com 400 ou 500 quiosques chineses cheios de jornais sobre o chinês, que oferecem porta-chaves do chinês, réplicas do chinês, pastilhas do chinês, calendários do chinês, pratos e copos do chinês, dvds do chinês e macaquinhos do chinês. E vamos tirar comissões sobre as vendas, isto se os chineses ainda tiverem dinheiro porque eles vão vir dos hoteis, restaurantes e museus e taxis todos muito bem exploradinhos. Vamos só alugar um apartamento perto do mercado asiático para os chineses todos poderem descansar depois de irem ao museu do chinês, que também vamos abrir um museu do chinês com a ajuda dos sponsors.

 

Ardinas, isto é o projecto para salvar os quiosques! Não há outro! Vamos tar lá em cima outra vez! Né?

publicado por ardinario às 12:45
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Segunda-feira, 14 de Março de 2011

Cuidado, há muitos parvos numa tv perto de si

Enquanto me cortavam o cabelo  (no local onde no meu primeiro dia de quiosque o proprietário de tão nobre estabelecimento me comunicou "eu compro-lhe o jornal, mas vocêm vem cá cortar a trunfa... temos que ser uns para os outros") passava numa tv perto de mim (em cima de mim, aliás) um daqueles programas culturais da tarde: Boa tarde, Portugal, ou Travessa da Alegria... não sei bem, era um desses. A apresentadora, ou como se chama aquilo, perguntava a uma convidada, ou como se chama aquilo, a propósito da geração de que tanto se fala e pouco se acerta: "Acha que ainda vale a pena estudar?".

Do alto do cadeirão onde me encontrava instalado, fiz um enorme esforço para não dar um salto. E fiz muito bem, já que estava sujeito a levar com uma tesourada na minha linda orelha, e eu já tenho uma borbulha na nádega que me incomode o suficiente, quanto mais agora uma orelha costurada com 7 pontos.

Fiquei a conhecer, felizmente apenas pela voz, um exemplar de uma nova geração, que espero ser uma geração rara ou no mínimo em vias de extinção: a geração à parva.

publicado por ardinario às 18:49
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Quinta-feira, 10 de Março de 2011

Alguém que me auto-ajude!

Portanto agora tenho medo de ir à Bertrand. Desde que passaram a pertencer ao grupo do Círculo de Leitores (ou vice-versa, perguntem ao google) fiquei com receio que me prendam a um canto, e só me deixem sair depois assinar contrato vitalício, ficando mesmo obrigado a adquirir, no acto de adesão, a Grande Enciclopédia do Reino Animal e Vegetal (78 volumes em outros tantos meses, por 795,99€, oferta de um romance de um autor sul-americano) para além de ter que fazer compras mensais na ordem dos 2 livros técnicos ou 3 romances. Basta fazerem umas cócegas num dos meus pontos fracos - um camião de gomas forever ou  a receita da bola de berlim da emanha - e só tenho que procurar o sítio para assinar.

Tenho medo de ir à Bertrand mas fui. Pé ante pé, orelha atrás do ouvido (??), visão periférica ligada, dei por mim na secção de auto-ajuda. Se me tentarem encurralar aqui, só tenho que fugir para a direita, pela secção infantil, curvar novamente à direita, ignorar os albuns de fotografia, fingir que me interesso pelo top 10 e finalmente sprintar até à saída. Mas uma reflexão mais profunda faz-me chegar à conclusão que quem se encontra a vasculhar a secção de auto-ajuda não deve ser incomodado com propostas de adesão ao Círculo de Leitores. E deixei-me estar, agora mais tranquilo. Abri o "Ser feliz em 7 dias", rapidamente ultrapassado por "Como melhorar a sua vida em 3 tempos". Exercício da página 78: escreva numa folha em branco uma coisa que não goste mesmo nada de fazer e que não seja essencial para a sua vida. Depois elimine-a e passe à seguinte, até se livrar de todas as coisas que não gosta mesmo nada de fazer e que não sejam essenciais para a sua vida. Entusiasmado, não comprei o livro e bazei.

Chegado a casa, escrevi numa folha em branco "Não gosto mesmo nada de fazer listas de coisas que não gosto mesmo nada de fazer e que não são essenciais à minha vida". Eliminei e fui comprar o Maldito Karma, de David Safier: uma mulher morre esmagada por um urinol de uma estação espacial russa. Como castigo pelo mau comportamento em vida, transforma-se numa formiga.

Promete tanto que penso vir a precisar de me deslocar novamente à secção de auto-ajuda.

publicado por ardinario às 15:49
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Quarta-feira, 9 de Março de 2011

Isto está bom

Isto está bom é para quem sabe escrever músicas com as palavras-chave "geração", "revolução", "parva", "luta", "rasca" e "rua".

Tipo

 

A parva da minha empregada

Saiu à rua!

Saiu à rua!

Saiu à rua!

 

Envolveu-se numa luta

Ficou à rasca!

Ficou à rasca!

Ficou à rasca!

 

(refrão)

Geração, revolução!

Geração, revolução!

Geração, revolução!

Geração, revolução!

 

Há luta na rua

Com'minha empregrada!

Com'minha empregrada!

Com'minha empregrada!

 

Além de parva

Anda à rasca porque gasta bué de telemóvel, ainda está a pagar as férias que passou no Algarve há 3 anos e tem o fantastic life!

Anda à rasca porque gasta bué de telemóvel, ainda está a pagar as férias que passou no Algarve há 3 anos e tem o fantastic life!

Anda à rasca porque gasta bué de telemóvel, ainda está a pagar as férias que passou no Algarve há 3 anos e tem o fantastic life!

 

(refrão)

Geração, revolução!

Geração, revolução!

Geração, revolução!

Geração, revolução!

 

Acho que estou safo.

 

publicado por ardinario às 17:31
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Segundo as sondagens, não há pinóquios no carnaval

Segundo uma sondagem (talvez seja um estudo, não sei bem) que nunca foi feita, as pessoas mascaram-se no carnaval por uma ou várias razões:

 

1) Para fazerem figuras de palhaço

2) Para ouvirem comentários à figura de palhaço que fazem

3) Para se divertirem, embora o conceito de diversão esteja implícito nas respostas 1 e 2.

4) (Para não haver dúvidas, a reposta 4 é a soma da 1 com a 2 e com a 3)

5) Não sabe/não responde

 

Segundo outra sondagem (ou será um estudo? bem, não interessa) a máscara escolhida é:

 

1) Algo que não conseguimos ser durante o resto do ano

2) Algo que gostariamos de ser pelo menos um dia durante o resto do ano, mas que não é possível, quer por razões sociais (pai mascarado de mendigo no dia do casamento da filha), profissionais (jornalista mascarado de super-homem no dia de natal) ou físicas (homem mascarado de mulher num dia qualquer, de preferência que não coincida com o ciclo menstrual)

3) 1 + 2

4) Não sabe/não responde

 

(Estas sondagens foram feitas a mim próprio e não têm margem de erro alguma, porque já me masquerei e a experiência até foi bem agradável. Qualquer carnaval volto a fazê-lo, está prometido. Admito que me agrada fazer figura de palhaço, mesmo que não vá mascarado de palhaço, que me agrada ouvir comentários à figura de palhaço, e que me divirto com isso.)

 

Posto isto, não faz sentido, é de uma total incoerência, que alguém se mascare de si próprio no dia de carnaval. E isso realmente não acontece. Por alguma razão é raro vermos mascarados de Pinóquio, ao mesmo tempo que nos cruzamos com tantos Anjinhos. Por isso continuo a gostar do carnaval.

publicado por ardinario às 15:26
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Tens 24 horas para me informar onde as escondeste

O decreto de lei saído no mês passado que me proibia de tocar guitarra no mesmo local onde passasse o canal panda... foi alterado. Diz agora a alínea c) que "(...) todo e qualquer instrumento de cordas pode, deve e está mesmo impedido de ser instrumentalizado em qualquer local ou sob qualquer circunstância. As coimas variam entre um choque eléctrico na tomada da sala e um cheque de 250 euros na Toys r Us". Na conferência de imprensa a menina justifica assim a alteração ao decreto de lei:

Para além de não apresentar evolução significativa na qualidade de som e da manifesta incapacidade em cantar ao mesmo tempo que toca, já para não falar da figura ridícula sempre que o tenta fazer, a guitarra dele tem muito melhor som que a minha e as melhores palhetas estão na gaveta dele. Ou melhor, estavam.

publicado por ardinario às 10:42
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Segunda-feira, 7 de Março de 2011

5a 5m

- Espera aqui um instante que eu vou ao quiosque.

- Fazer o quê?

- Buscar o dinheiro.

- Para quê?

- Para não roubarem.

- E se tentarem roubar?

- Toca o alarme.

- Tens alarme?

- Tenho.

- Eu tenho sono.

- Tens?

- Tenho.

- Eu também.

- Ok.

- Esperá lá então.

- Está bem.

(fui e voltei)

- Já está.

- Ok. Olha, por que não pões um espantalho?

- Ãh?

- Um espantalho no quiosque.

- Para quê?

- Para espantar os ladrões.

- Ahah, tu tens piada, muita piada.

- Ahahahah O ladrão entrava e via o espantalho...

- Ahahah e depois?...

- Depois o ladrão ao ver o espantalho ria-se tanto tanto tanto que passava a noite dentro do quiosque a rir. Quando tu chegasses de manhã apanháva-lo.

 

Humor non-sense, puro, muito puro, herdado do pai, que herdou da mãe, que herdou do avô.

publicado por ardinario às 12:11
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