Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Apresentar obra





Fixem o olhar na foto. Há um sanitário público, correcto? Agora desviem esse mesmo olhar (pode ser outro, mas funciona melhor se for o mesmo) para a vossa direita. Vêem uma árvore? Ok, estão no caminho certo. Portanto, à direita dessa árvore está o quiosque do gajo que é uma espécie de Pacheco Pereira das bancas dos jornais.

Agora que já captaram o elemento mais importante desta praça, vamos à notícia.

“É um contrato desastroso para a autarquia”, qualifica o vereador José Elísio, em declarações ao DIÁRIO AS BEIRAS. O sanitário instalado na Praça 8 de Maio (também conhecida como “Praça dos Táxis”) está a ser utilizado, em média, por 3,6 pessoa por dia. Assim, cada vez que alguém o utiliza, os munícipes pagam cerca de 19 euros. Por seu turno, os utilizadores desembolsam 20 cêntimos.
O equipamento foi ali colocado em regime de aluguer no mandato de Santana Lopes. Decorridos 10 anos, a câmara já pagou cerca de 200 mil euros. Mas o contrato só termina em 2013, o que representa uma despesa de 110 mil euros.”
*

Se o vereador do Ambiente avançar para a rescisão do contrato, a edilidade tem de pagar uma indemnização de 20 mil euros. Contudo, como os referidos números indicam, a câmara sai a ganhar, ao poupar 90 mil euros. A inauguração teve honras de uma cerimónia, com a presença de autarcas do executivo municipal da altura. O contrato inclui limpeza e manutenção.
In Diário das Beiras

Só vejo duas soluções para esta brincadeira do Sr. Lopes. Uma delas, sugerida pelo excelentíssimo meu irmão – que vão poder ver em acção no quiosque algumas semanas no Verão - seria quebrar de imediato o contrato (poupavam-se logo 90 mil euros!) e colocar o dito sanitário à porta da residência do Sr. Lopes. Eu ía um pouco mais longe. O sanitário viajava na mesma para Lisboa, onde seria utilizado como mesa de voto da freguesia do Sr.Lopes, no dia das eleições para a CML. E, claro, obrigava o gajo a colocar moedinha para poder votar.

* 310 mil euros, em linguagem de quiosque, dão para fornecer diariamente todos os jornais nacionais à Biblioteca Municipal durante 60 anos. Em linguagem Lopes dão para limpar o rabo a 3,6 pessoas por dia, durante 15 anos. É obra(r)!
publicado por ardinario às 15:29
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Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

2 em i






publicado por ardinario às 19:28
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Sábado, 4 de Julho de 2009

Schillaci

O Jornal 1X2 proporcionou-me há tempos uma das experiências mais caricatas a que já tive oportunidade de assistir e participar, no papel de “senhor que está do lado de dentro das bancas”.

Julgo ser correcto afirmar, antes mesmo de passarmos aos factos, que o episódio poderá fazer da minha pessoa – se é que alguém ainda tinha dúvidas sobre isso – um dos tipos mais sensacionais e prestáveis do planeta. O problema é que a fronteira do sensacional ou até mesmo do prestável é ténue. Se somos excessivamente sensacionais ou teimosamente prestáveis – ou mesmo ambas as qualidades em simultâneo -, as pessoas desconfiam e tomam-nos por “aquele gajo que tem alguma fisgada”, ou, na pior das hipóteses, por um totó. É fácil distinguir. O totó é aquele que numa banda filarmónica leva a bandeira enquanto os outros tocam. Ou o que leva a bola e passa o tempo todo à baliza.

Ou aquele que vende o Jornal 1X2 a alguém que não sabe ler e que depois sofre com as consequências. Confesso que não me teria incomodado, ler um qualquer jornal diário em voz alta, para alguém que não soubesse ler.
Aliás, minto. Incomodaria, sim, mas não demasiado, e desde que não houvesse abusos, ao ponto de ter que ler horóscopos, guias tv ou crónicas da Leonor Pinhão.
Mas estamos a falar do jornal 1X2. O J-o-r-n-a- l 1-X-2! São números, porra! Estatísticas, resultados, classificações. Não se faz, caramba. Não se pede a ninguém, nem mesmo a um dos tipos mais sensacionais e prestáveis do universo… “olhe, veja-me lá como está o Anadia”.
E eu vi. Vi como estava o Anadia, depois o Fátima, a seguir a situação do campeonato inglês, espanhol e italiano, fui investigar o percurso da equipa do Hugo Almeida, passei pelos valores dos prémios do Euromilhões e acabei no Joker e no Totoloto.

Posso dizer que foi incrivelmente doloroso.
Mas compensou largamente, pelo pormenor que só mais tarde encaixei, que me ilibou do rótulo de totó e enobreceu a figura central desta história: o senhor que não sabia ler comprou o jornal. Comprou. Pagou, pediu para lhe o ler, agradeceu, voltou a colocar o jornal onde estava e abalou.
publicado por ardinario às 01:35
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