Quinta-feira, 15 de Fevereiro de 2007

Sorte madrasta

A Casa da Sorte é o maior Requisitante Oficial da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e foi fundada em 1933 pelo Ex.mo Sr. António Augusto Nogueira da Silva.
A sua sorte está com quem sabe” é um das frase-chave que nos é bombardeada pela Casa da Sorte na sua fantástica página de abertura. Quis a sorte que ao ter adquirido o quiosque há ano e meio atrás, tivesse herdado à força a honra de trabalhar com tal entidade. Com quem sabe, dizem eles...
Sinto uma enorme admiração por esta empresa, apenas comparável ao apreço que Mário Soares nutrirá por quem nele votou para pior português de sempre. E se Mário Soares recebeu quase 40% dos votos neste concurso, a Casa da Sorte não me dá mais do que 8% por cada cautela vendida. Além destes míseros 8%, ganho ainda alguma legitimidade para ficar no mínimo aborrecido com a minha relação com a Casa da Sorte.
A Casa (já chega de publicidade gratuita), além de distribuir lotarias e prémios por esse país fora, é simultaneamente a empresa cujos produtos menos lucro dão ao quiosque e a que mais trabalho oferece ao contabilista. Ora, sendo eu o intermediário oficial da relação Casa/Contabilista, é possível afirmar, com uma elevada percentagem de acerto, que esta Casa dá-me trabalho e pouco mais. Por vezes, há que retribuir esta gentileza.
Há dias, como bom intermediário que sou, tive que ligar para a Casa a pedir umas papeladas referentes a 2006 que, como manda a tradição na Casa, estavam em falta. Formulo educadamente o meu pedido ao responsável da Casa e do outro lado sou confrontado com a seguinte resposta: “Oh amigo, isso vai dar uma trabalheira! Vamos fazer antes assim...”. Depois de verificar que não teria ligado por engano para uma qualquer repartição pública, e com receio de causar um esgotamento ao meu interlocutor, nem pensei duas vezes e aceitei o “vamos fazer antes assim” sem qualquer reserva e mesmo antes de ouvir a frase completa. A minha única vitória foi conseguir negociar o envio dos documentos por fax directamente para a contabilidade, sem passar pelo quiosque, baldando-me claramente ao papel de intermediário das partes envolvidas.
Confesso que nestes momentos em directo me falta a coragem e principalmente a honestidade para mandar pessoal deste calibre à merda e fazer o que lhes compete, mas aproveito a oportunidade que me é concedida neste espaço para, na possibilidade remota do indivíduo acima citado visitar este texto, deixar-lhe a seguinte mensagem, válida para os próximos 3 anos e meio: “Vai trabalhar malandro!”
publicado por ardinario às 16:30
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