Quarta-feira, 29 de Junho de 2011

O estranho caso dos duplicados dos compravativos de carregamentos de telemóveis

Há coisa de alguns dias atrás estava eu a carregar 25 euros no número X1XXX70X8 quando ao entregar à senhora (bem jeitosa por sinal) o respectivo comprovativo do número 9X633XX2X, ela se sai com algo como “olhe que o senhor tem uma pestana fora de sítio”. Perante a gravidade da situação, rapidamente fiz questão de corrigir a colocação da pestana, ao mesmo tempo que a senhora me alertava “mas não tire, que lhe fica bem!”. “Tá bem, abelha”, pensei eu, sem responder.

A beleza de usufruir de uma maquineta que carrega telemóveis está na capacidade de retenção dos duplicados dos comprovativos. Com os duplicados dos comprovativos é possível construir uma enorme base de dados de números de telefone. Com uma enorme base de dados de números de telefone é possível, entre outras coisas, fazer coisas engraçadas. Passo a explicar. 

O duplicado do compravativo do carregamento de telemóvel da senhora que amou a minha pestana deslocada, depois de passar pelo departamento de análise ao cliente, é chumbado e eliminado da base de dados. Porquê? Porque a senhora que hoje ama ou acha piada a uma pestana deslocada, depois de uma temporada a conviver com pestanas deslocadas, cansa-se de pestanas deslocadas e toda a sua envolvente. Tem piada uma vez, tem piada outra. Depois há sempre uma pestana deslocada, quer se vire para a esquerda ou para a direita, e a pestana deslocada perde a sua magia e passa a ser vista como um defeito ao nível da pestana.

Quem fala de pestanas fala de outros pormenores igualmente passíveis de ser amados que posteriormente são despromovidos a defeitos. Regra geral, são pormenores que à partida são mesmo defeituosos, mas que geram uma inexplicável onda de entusiasmo pela pessoa que observa o fenómeno pela primeira vez. Veredicto: eliminar da base de dados.

O que é que sobra? O que é que sobra, partindo do princípio que para a base de dados são admitidos apenas duplicados cujos números de telefone pertençam a humanos do sexo feminino com idades abaixo dos 50 anos, sem pêlos nas axilas, que demonstrem o seu poderio financeiro com carregamentos acima dos 25 euros e que sejam capazes de dizer "dê-me um maço de chesterfield, por favor" em vez de "ó moço, quero um chester filtro"? O que é que sobra? Nada. A base de dados de duplicados do compravativos do carregamentos de telemóveis, pese embora todo o seu potencial, continua um enorme vazio.

publicado por ardinario às 11:13
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