Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2015

A ORLANDA NÃO PERCEBE

Ter um quiosque é espectacular. É tão espectacular que não conheço ninguém que não tenha imaginado pelo menos uma vez durante a vida como seria estar um dia atrás da banca, que não tenha sentido vontade de saltar cá para dentro, espetar duas lambadas no homenzito do quiosque e experimentar esse misto de sensações de devorar jornais e revistas, carregar o seu telemóvel com 500€, levar para casa a colecção completa do Game of Thrones e voltar a trazer como se o invólucro nunca tivesse sido violado, ou completar a caderneta do Mundial 2010 à custa do senhor que deixou como herança ao quiosque os seus milhões de repetidos depois de lá gastar 750€ em saquetas. Não conheço. Daí a espectacularidade da questão.

No entanto – e este “no entanto” mata-me – há algo no quiosque que me incomoda, algo que chateia, algo que arrelia. No fundo, algo que não me deixa dormir, e que é precisamente isso: o quiosque não me deixa dormir.

O sacana abre às 8, e por muito que se tente negociar com a clientela, por muito que o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Madrugadores de Quiosques reivindique as minhas exigências perante o patronato, nunca se chegou a um entendimento razoável para as partes envolvidas. É às 8 e ponto final.
Como deve ser fácil de entender, toda esta situação acarreta graves implicações sobre a minha pessoa. Uma pessoa de bem, de trato fácil, com espírito solidário e que pratica a caridade, mas uma pessoa que também precisa de dormir.
“Deita-te mais cedo”, diz-me a Orlanda. Não dá, Orlanda. A Orlanda não percebe que preciso da paz da noite para descomprimir dos clientes do dia como a Orlanda?
A Orlanda não percebe.
Como se não fosse suficientemente trágico ter que levantar tão cedo – levando inclusivamente a perguntar-me, na hora que toca o primeiro despertador, “mas porquê um quiosque??” - há dias sonhei que estava a dormir. Enquanto dormia no meu próprio sonho, tocou o despertador do sonho e eu tentava, sem sucesso, levantar-me. Até que finalmente percebi que era tudo um sonho e podia continuar a dormir, desde que conseguisse mudar de sonho. Não só não consegui como não voltei a adormecer: dez minutos mais tarde tocou o despertador real. O que me levou a perguntar “mas porquê um quiosque??”. Nem me respondi. De madrugada, assim que o despertador toca, que ninguém fale comigo.

publicado por ardinario às 15:50
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Terça-feira, 28 de Outubro de 2014

O PERFUME QUE ERA MEU

Parece que ontem saiu a Lux Woman de Novembro. Para quem não sabe, a Lux Woman é uma revista dirigida ao público feminino que nos meses bons vende, neste quiosque, entre zero e um exemplares. Acontece que ontem, em pouco mais que duas horas, a Lux Woman vendeu mais que nos últimos 10 meses. Porquê? Porque oferecia uma amostra de um perfume MEU!
Um perfume MEU... da Cristina Ferreira. Aliás, foi meu enquanto a revista Lux Woman não esgotou. Depois todo o perfume MEU foi cheirar bem para as mãos das clientes ávidas de se borrifarem com um perfume MEU e o perfume MEU deixou de ser meu.
São estes fenómenos que me fazem duvidar se estarei no negócio certo. Que me levam a pensar se vendi 10 revistas ou 10 perfumes. Se não estaria mais "cheirozinho" numa perfumaria ou se deva continuar a cheirar o sovaco da senhora que num dia de verão como o dia de ontem estica o braço para sacar de uma Trident de Morango, mesmo em frente ao meu nariz.

Não interessa. O importante é que as clientes que ontem num quiosque meu compraram um perfume MEU por 2€, hoje vão-se borrifar com um perfume MEU e deixar um aroma mais agradável pelos ares da cidade. Apesar de se borrifarem para a revista Lux Woman, não deixa de ser um orgulho meu, meu!

publicado por ardinario às 12:02
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Segunda-feira, 15 de Setembro de 2014

O 11 DE SETEMBRO DOS QUIOSQUES

Quinta-feira, 11 de Setembro de 2014, passa a ser o dia em que o 11 de Setembro dos quiosques se abateu sobre este estaminé. Passavam alguns minutos sobre a hora que agora não me lembro quando a cerca de 2.500 metros acima do toldo que ostenta as bonitas palavras “Quiosque Praça 8 de Maio” se formou sem aviso prévio aquilo que se designa por “tempestade do caraças”.

Para tornar ainda mais trágico este 11 de Setembro dos quiosques é preciso recuar 10 horas no tempo. E o que se passou 10 horas antes da tragédia? Nada de especial: estive preso. Desconheço as razões que me levaram para a choça e quanto tempo lá permaneci. Aproveito apenas a oportunidade que me é aqui concedida para me declarar inocente.
Entretanto fui libertado. Lá fora esperavam-me dois amigos, que ao invés de correrem para os meus braços, manifestando o seu apoio neste momento tão complicado da minha vida, piram-se mal me vêem.
O despertador tocou à hora de sempre e deixei assim de ser um ex-recluso, pronto a recomeçar uma nova vida, e volto a ser o não-recluso que madruga para ir abrir um quiosque. Como dizia o coiso, a vida é feita de recomeços. Mas não foi o caso.
Ora, se às 3 da matina me encontrava prisioneiro por um crime que não terei cometido, horas e tal mais tarde estava feito prisioneiro numa solitária de 6 metros quadrados, rodeado de jornais, revistas e bolsas de praia que este verão não se venderam. Aproxima-se a tal tempestade, que numa primeira fase ignorei e que numa segunda e terceira fase me obrigou a levantar o cu da cadeira e recolher algum material mais sensível a ventos e chuvas de intensidade mais atrevida. Na quarta e quinta fase, toda a estrutura que supostamente resguarda as vitrinas norte e sul perde o controle da situação. Em linguagem simples e directa, chove dentro da vitrina sul, mais concretamente na zona da culinária. Em 2 minutos, o borrego da capa da Teleculinária transforma-se em ensopado de borrego e a sopa de feijão da Cozinha Regional nº58 passa a ser feijão com água. Em 3 filadas de revistas, não há cozinhado que resista. Tento salvar o pouco que resta. Há revistas afogadas no chão, molas que saltam para o vazio e um não-recluso a tomar um monumental banho junto à vitrina sul do quiosque.
Da parte da tarde, quando o sol já brilha, está montado um lindo estendal de revistas de culinária nas traseiras do quiosque. É aguardar que sequem para depois passarem pelo ferro de engomar.
Tento consolar-me junto dos meus familiares (sim, já que os amigos me abandonam nas horas mais difíceis, levados pela onda populista que me acusa de crimes que não cometi). Em vão. Tenho um furo no pneu do carro.

Medo. Muito medo do 11 de Setembro dos quiosques.

P.S. - optei por não inserir fotos para não ferir a sensabilidade de alguns clientes de revistas de culinária.

publicado por ardinario às 09:03
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Quarta-feira, 20 de Agosto de 2014

3000 METROS OBSTÁCULOS

Se não me falha a memória, o ranking das perguntas mais frequentes que chegam a este quiosque já não é actualizado desde 18 de Dezembro de 2006, pelas 16 horas e 23 minutos. Por uma razão muito simples: o ranking mantém-se inalterado desde então e, suponho, desde quase sempre.
Em 3º lugar encontra-se o “pode-me mostrar aquela revista, sem compromisso?”, e respectiva resposta “com certeza, minha senhora”, embora muitas vezes fique no final com a sensação que deveria ter estabelecido um compromisso prévio com a senhora. A senhora vai, a revista fica.
No 2º lugar do pódio surge o clássico dos quiosques portugueses “Pode dar-me a Maria?”, ou nos quiosques americanos “Do you Marry me?”.
Em 1º lugar, destacadíssimo, com grandes picos ao final da tarde de 3ªs e 6ªs feira, temos o inevitável “Regista o Euromilhões?”. A resposta, essa, surge em forma de indicação: “Lá ao fundo, a seguir à pastelaria”, que brevemente terá que sofrer uma actualização, uma vez que está a nascer uma nova pastelaria antes da pastelaria que se encontra antes da florista que regista o euromilhões.
Nos 100 metros que distam do quiosque à florista que regista o euromilhões é normal que um ou outro cliente se perca nas complexas instruções que recebeu momentos atrás. Encontra o seu caminho de volta e leva instruções mais precisas por parte da minha pessoa: “Lá ao fundo, a seguir à pastelaria”. E regressa com uma dose extra de confiança para a sua busca da floresta urbana onde também se regista o euromilhões.
No mês de Agosto há uma pergunta mais frequente que costuma ameaçar o top 3: “Pode indicar-me um posto de turismo?”. Viro-me de lado, estico o braço esquerdo e saem as indicações “Sempre em frente, uns 15 minutos a pé, perto de uma torre com um relógio em cima, mesmo junto à praia”. Nos 3000 metros que distam do quiosque até ao posto de turismo é normal que alguns clientes se percam. O que não é normal é que percorram 200 metros, regressem ao quiosque, e em vez de me levarem a Maria para ler no caminho, me deixem apenas as palavras “ó senhor, não encontrei praia nenhuma!!”

publicado por ardinario às 10:40
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Segunda-feira, 11 de Agosto de 2014

Abra-se o livro!

Com muito nervo à mistura, próprio das ocasiões únicas e especiais, está feito. Está lançado. Espero que apreciem o livro, tanto como o gozo que me deu escrevê-lo.
Um muito obrigado a todos os que comigo partilharam este momento, não apenas ontem, mas ao longo de todos estes anos.
Directamente do quiosque, onde pousam vários exemplares preparadíssimos para serem gamados ou enviados para qualquer lugar do mundo (não se acanhem), lanço, para além do livro, beijinhos e abraços.

 



publicado por ardinario às 21:00
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Quarta-feira, 6 de Agosto de 2014

A vida dá muitas voltas

Este quiosque vem equipado com um par de caixas
onde são colocadas as publicações do dia. Para aqueles
que gostam de perceber a logística das coisas, o processo
funciona da seguinte forma. De manhã bem cedo os maus,
que têm a chave das caixas, despejam material lá para dentro
e fecham-nas. De manhã bem cedo, mas um bocadito mais
tarde, o bom, que sou eu e que também tem as chaves das
caixas, recolhe o material e deixa a caixas abertas, porque
de tarde bem tarde aqui o bom tem que devolver os jornais
que não vendeu.
Ora, durante o período em que as caixas permanecem
abertas, nunca nada de extraordinário se passou lá dentro.
Até ontem.
Um menino de 3 anos de nome Telmo decidiu que uma
das caixas em questão se encontrava no lugar apropriado, à
hora certa e com as dimensões correctas para se escapar de
levar duas palmadas da mãe, por motivos que não chegaram
a ser devidamente apurados. Resumindo, às 8 da manhã eu
tinha 20 quilos de publicações na caixa. Às 5 da tarde tinha
lá dentro um menino de 3 anos.
A vida dá muitas voltas. Que o diga o Telmo. Às 5 da
tarde o Telmo pensava que ia levar duas palmadas. Depois
de 10 minutos a viver dentro de uma caixa de quiosque,
acabou por levar 4.

publicado por ardinario às 09:41
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Segunda-feira, 4 de Agosto de 2014

À atenção dos accionistas do quiosque

Hoje de manhã gerou-se o pânico e verificou-se uma corrida às bancas que gerou uma descapitalização ao nível da imprensa escrita em banca. O regulador de crises em bancas decidiu assim dividir o quiosque em dois: o quiosque mau e o quiosque novo. No quiosque mau ficaram os activos tóxicos: a Maria, a Nova Gente, o Correio da Manhã, o Jogo, o SG Gigante e a dívida do Sr.Martins de 7 de Janeiro de 2006. No quiosque novo está tudo o que é bom, onde obviamente me incluo.
O que é que vai acontecer agora? Ora, como nós não sobrevivemos sem as vendas da Maria, do Correio da Manhã e do SG Gigante, eu quero é que o regulador de crises em banca se lixe. Continuaremos assim a ser um quiosque mau, mas com coisas boas. Onde obviamente me incluo.

Voltem sempre!

publicado por ardinario às 13:37
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Quarta-feira, 30 de Julho de 2014

QUIOSQUE QUE LADRA NÃO MORDE

Segundo apuradíssimos cálculos que efectuei
durante as horas mortas nas últimas semanas, o material
que já deu entrada neste estabelecimento dá para encher
entre 1 e 29 campos de futebol. Só nos últimos 7 anos são
perto de 2,5 milhões de jornais, milhão e meio de revistas,
4 “quadrilhões” de maços de tabaco, largos milhares de
pastilhas, 3 sets de cozinha, 5 almofadas do Panda, um sem
número de fascículos do planeta agostini, meia centena
de guarda-chuvas, 2 casais de velhinhos que entraram
ao engano, 2 filhos, 3 sobrinhas, mais de 100 néctares de
pêssego, 4 sandes de leitão, 5 braços de gatuno, 0,0000007%
da população mundial de insectos, 3 pombas, e desde ontem
por volta das 15.30... um cão.
O cão vinha ao colo de uma cliente que se apresentou
para pagar umas facturas sem dinheiro na carteira. Com a
necessidade de levantar dinheiro na caixa multibanco mais
próxima surgiu o problema evidente de o fazer com um cão
ao colo.
Já me tinham pedido para guardar o Correio da Manhã,
a Caras ou o nº3 do Era uma vez o Homem. “Guarde-me aí
o cão, se faz favor” foi de facto a primeira vez.
A polivalência deste quiosque não pára de crescer.
É uma questão de tempo até fazer disto um albergue do
esquilo-anão do Bangladesh.

publicado por ardinario às 09:17
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Quinta-feira, 24 de Julho de 2014

Última hora!

Ontem foi um dia particularmente difícil na temática
“satisfazer o cliente na sua incessante busca por uma certa
e determinada marca de tabaco cujo nome lhe escapa mas
onde existem certezas absolutas sobre preço e cor”.
Começo pelo fim, ou seja, quando já passava das
7 e tinha todo o tabaco aprumadinho e arrumadinho para
hoje. Tirando o pormenor “última hora”, nada tenho contra
o cliente de última hora. No fundo, somos ambos “última
hora”. Está na minha última hora para ir à minha vida e
está na última hora da senhora para ir lá para a vida dela.
Estamos ambos com pressa, e urge chegar a acordo e fechar
negócio o mais rapidamente possível, para cada um ir à sua
vida.
A coisa empata-se quando o cliente de última hora não
sabe o que quer. Ou melhor, sabe. O que não sabe é colocar
a sua sabedoria em palavras. Aponta para um expositor de
tabaco outrora cheio de tabaco e agora tristemente vazio, e
só lhe sai:
– Vermelho, quero um vermelho... daqueles de 3,70€.
– Fácil, só há um (Vou ao caixote e estendo-lhe o
maço vermelho de 3,70€).
– Não é este...
– A 3,70€ só há este.
-  Mas não é este...
– Qual é?
– É o vermelho.
– Este é vermelho e custa 3,70€. Não há outro...
– Há, sim.
– Não há.
– Há. É vermelho. Não sei é o nome.
– 3,70€ e vermelho só o que lhe mostrei. Há um verde
a 3,70€. Mas é verde.
– Deixe ver.
(...)
– É este!
– Mas este é verde...
– É este, mas em vermelho.

Volto ao caixote. Não encontro. Vou a outro caixote.
Abro um volume novo, enquanto tropeço em tudo o que é
material que às 18.30 estava lá fora e agora, às 19.10, está
cá dentro. É vermelho e custa 3,70€. O cliente de última
hora estava certo e o dono de quiosque de última hora estava
errado. Também acontece. Gosto muito quando os meus
clientes, principalmente os de última hora, me dão uma lição
de última hora.

– Tinha razão, peço desculpa. Aqui está.
– Olhe, afinal dê-me um daqueles pretos. Quanto
custa?
– 3,80€.

publicado por ardinario às 10:31
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Sexta-feira, 18 de Julho de 2014

O CURSO DE LÍNGUAS E O ROCK AND ROLL

Há tempos dei aqui conta de um novo fenómeno matinal que rapidamente virou rotina. Protagonista: um indivíduo que em 2009 completou uma colecção de um curso de línguas distribuído com o Jornal de Notícias. Fenómeno: o indivíduo anseia por uma nova colecção de línguas distribuída com o Jornal de Notícias. Todos os dias. Todo o santo dia aproxima-se deste tasco e solta a pergunta que o persegue, desde que em 2009 completou uma colecção de um curso de línguas distribuído com o Jornal de Notícias: “Chegou algum novo curso de línguas com o Jornal de Notícias?”. Perante um redondinho e repetitivo “não”, a dar cartas desde 2009, seria expectável alguma desilusão estampada no rosto do indivíduo. Nada disso. O desejo de coleccionar um curso de línguas com o Jornal de Notícias regressa ainda com mais força no dia seguinte, acompanhado de um sorriso e expectativa ainda mais largos que no dia anterior. E desde ontem, pela mesma hora de sempre, com novo desejo difícil de concretizar: “E colecções do Rock and Roll, chegou alguma coisa?

Desconheço o que terá falhado com a colecção 2009. É certo que não o deixou 100% satisfeito. O seu português continua perfeito. O inglês, francês e alemão, uma incógnita por desvendar. O maior medo é chegar o dia em que o Jornal de Notícias lança nova colecção de línguas e o indivíduo cuspir qualquer coisa como “é só para dizer que não estou interessado, já fiz a colecção de 2009”.

 

publicado por ardinario às 16:08
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